Política

Pré-candidato do PSOL critica prisões

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Em meio às rebeliões desencadeadas pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) em 22 presídios e Centros de Detenção Provisória (CDP) em todo o Estado de São Paulo, o pré-candidato ao governo do Estado Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) esteve ontem Bauru e criticou o sistema prisional.

Na opinião dele, o problema da segurança não se resolve apenas construindo presídios. “É preciso recuperar o preso. É preciso tratá-lo como ser humano.” Segundo ele, o modelo adotado atualmente é uma demonstração de que o sistema não acredita que um ser humano que cometeu um erro possa ser recuperado.

“Hoje, uma pessoa rouba um chinelo, vai para a cadeia e sai de lá um verdadeiro bandido”, critica Plínio. Na avaliação dele, não é só o tratamento dado aos presos que precisa mudar. Os agentes penitenciários também não estariam recebendo a atenção devida. “Não podemos deixar que os agentes continuem expostos como estão hoje. Tudo quanto é rebelião, eles são feitos reféns”. Na megarrebelião do PCC, foram feitos pelo menos 100 reféns – a maioria agentes penitenciários.

A reforma do sistema prisional é um dos itens que fazem parte do programa de governo do PSOL em São Paulo. Apesar das chances reduzidas de vitória nas eleições deste ano, Plínio já tem um programa praticamente definido.

Além da questão da segurança, ele citou outras prioridades defendidas pelo partido. Entre elas estão o combate a desigualdade, com pesados investimentos em saúde e educação.

“Não é justo que uma pessoa leve um ano para marcar uma consulta. O sujeito vê a doença crescer dentro dele e ele ainda está esperando a consulta.” Outro ponto é o combate a pobreza com programa agrícola, com reforma agrária e investimento em habitação. De acordo com a última pesquisa Datafolha, o pré-candidato do PSOL tem apenas 2% da intenção de votos.

“Eu avalio (as chances eleitorais) do ponto de vista bíblico”, disse, citando a luta entre Davi e Golias. “Eu vou tentar dar uma pedrada do Golias.”

Petista histórico, Plínio acredita que o Partido dos Trabalhadores encerrou um ciclo na política brasileira. Segundo ele, o PT cumpriu um papel importante ao polarizar a luta política entre o “partido da ordem estabelecida (PSDB)” e um partido que propunha algo totalmente diferente em nome do povo pobre.

“Na hora que o PT adotou as políticas do outro lado, ficou um vazio. E nós vamos tentar ocupar esse vazio.”

Na reunião de ontem, o PSOL bauruense discutiu também as pré-candidaturas de João Bráulio Salles da Cruz e Isaías Daibem a deputados federal e estadual, respectivamente. Além do fortalecimento do partido em Bauru, as candidaturas visam ajudar o PSOL a obter os votos necessários para se manter no cenário político. Devido à cláusula de barreira, os partidos políticos são obrigados a ter, no mínimo, 5% dos votos na eleição para a Câmara dos Deputados.

Comentários

Comentários