Polícia

Judiciário é atingido por 13 tiros

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 2 min

Nem o Poder Judiciário da cidade foi poupado dos ataques de criminosos à polícia que vêm acontecendo em todo o Estado de São Paulo. O prédio onde funciona a Vara de Execuções Criminais de Bauru, localizado na quadra 6 da avenida Cruzeiro do Sul, foi alvo de 13 tiros no início da madrugada desta segunda-feira, por volta da meia-noite. Apenas o vigia da prefeitura Davi Soares Pereira, 52 anos, que presta serviços para o Judiciário, estava no local no momento dos disparos.

Ele não foi atingido pelas balas, mas seu automóvel que estava estacionado na frente do prédio teve vidros quebrados e a lataria furada. Além do ataque ao Judiciário, foram registrados outros três na madrugada de sábado, no 1.º, 2.º e 4.º Distritos Policiais (DP) de Bauru e ameaças a bases de policiamento militar.

Na Vara de Execuções Criminais, as marcas de tiros ficaram nas paredes, vidros e até em documentos. Um dos disparos atingiu a porta de entrada e percorreu aproximadamente seis metros até chegar a um vitrô. A bala não parou por aí: percorreu outros aproximadamente seis metros até atingir a parede. Ainda com força, perfurou o concreto e percorreu mais três metros – dentro da sala – para, finalmente, se alojar em uma pilha de documentos que estava em cima de uma mesa. A sala guarda processos da Justiça.

Ainda recuperando-se do susto, o vigia voltou ao local de trabalho ontem pela manhã e deu esclarecimentos à imprensa. Contou que por volta das 23h45 de anteontem, tinha ido ao banheiro. Quando retornou, ficou próximo a um balcão, ouvindo rádio. À meia-noite, aproximadamente, ouviu os primeiros tiros e escondeu-se. “Esperei passar um pouquinho e saí para ver o que tinha acontecido”, diz.

Ele não contou quantos tiros foram disparados, mas afirmou que “foram muitos”. Quando saiu em frente ao prédio, viu que as balas tinham atingido seu automóvel que estava estacionado do lado de dentro, próximo do portão de entrada. “Fiquei muito assustado. Se eu estivesse na frente, tinha levado os tiros”, preocupa-se. “Uma pessoa me disse que foram dois rapazes que estavam em uma moto (os possíveis autores dos disparos)”, conta.

O juiz Horácio Furquim Guanaes, diretor do Fórum de Bauru, também esteve na Vara de Execuções Criminais na manhã de ontem. “A situação é preocupante não só aqui (em Bauru) como em todo o Estado. Agora, até prédios do Judiciário são alvos”, afirmou.

Como providência, Guanaes disse que entraria em contato com o comando da Polícia Militar e com o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. “O Tribunal vai definir alguma providência que possa ser tomada”, afirmou.

Apreensivos, nenhum dos funcionários que entraram no prédio para trabalhar quiseram dar entrevistas. “A princípio, eles (funcionários) trabalharão normalmente, a não ser que nós recebamos alguma orientação diferente do Tribunal de Justiça”, afirmou Guanaes. O policiamento na frente da Vara foi reforçado no início da manhã de ontem.

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