Internacional

Ex-presidente Saddam Hussein desafia tribunal e opta por silêncio

Folhapress
| Tempo de leitura: 1 min

Bagdá - O ex-presidente Saddam Hussein negou-se ontem a responder se era inocente ou culpado de acusações pormenorizadas que lhe foram feitas, durante a 24.ª audiência de seu processo. Argumentou que seu silêncio era uma prerrogativa “de quem ainda é presidente do Iraque”.

O processo, iniciado há sete meses, trata, em seu atual estágio, de torturas e execuções praticadas depois do atentado de que ele foi vítima, na cidade xiita de Dujail, em 1982. A ditadura iraquiana condenou à morte e executou 148 suspeitos. Um grupo de 17 outros xiitas morreu nas câmaras de tortura.

A leitura desses crimes demorou 15 minutos. O juiz Raouf Abdel-Rahman rejeitou o argumento de Saddam e de seus sete advogados de que ele ainda possuía alguma imunidade por ser supostamente o chefe de Estado.

Diante da recusa do ditador em responder ao juiz, seus advogados disseram que ele era inocente de todas as acusações que lhe eram feitas. O tribunal começará em breve a julgá-lo pelo mais grave dos crimes imputados. Trata-se do genocídio contra cidades curdas, em 1980, no qual teriam sido mortas 100 mil pessoas.

Pelo menos 20 pessoas foram mortas ontem em todo o Iraque em atentados cometidos pela insurgência ou em razão de conflitos entre grupos religiosos. O mais rumoroso ocorreu em Balad Ruz, a 80 km de Bagdá, quando homens armados obrigaram três professores primários a deixarem o veículo que os transportava e os metralharam.

Informantes americanos também disseram que insurgentes derrubaram no domingo um helicóptero, matando os dois tripulantes do aparelho. Com isso, chegou a sete o número de americanos mortos no último fim de semana.

Em Basra, ao sul do país, foram mortos três policiais. Outro policial morreu em Mossul. Em Amara, quatro soldados britânicos foram feridos.

Comentários

Comentários