Polícia

Após rebeliões e ataques, retorno de detentos tem índice normal de evasão

Por Lígia Ligabue | Calaborou Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Contrariando as expectativas pessimistas provocadas pela onda de ataques atribuídas ao PCC, foi tranqüila a volta dos detentos beneficiados com saída temporária – concedida em função do Dia das Mães. Embora nenhuma ocorrência policial referente à data de retorno tenha sido registrada em Bauru, o percentual de evasão teria ficado acima da média.

No Instituto Penal Agrícola. (IPA), dos 974 detentos que saíram, 54 não voltaram, o que representa 5,5%. O índice está dentro da média de evasão das saídas anteriores. Mas na ala de progressão da Penitenciária 2, ao todo, 17 detentos não retornaram dos 158 que saíram. Eles representam 10,75% do total. O índice sobe para 16,6% na Penitenciária 1, que liberou 114 presos, mas recebeu de volta apenas 95. Normalmente, a evasão não ultrapassa os 10%. Na Páscoa, por exemplo, o pior índice ficou com a P1. Na ocasião, chegou a 8,5%.

Os reeducandos tinham até às 17h de ontem para se apresentar nas unidade prisionais. Os que não chegaram a tempo correm o risco de perder o benefício da semi-liberdade. O IPA liberou 933 dos 1.070 detentos para passar o Dia das Mães em casa. Desses, 21 conseguiram liberdade condicional antes da saída. Até o início da noite de ontem, mais da metade já tinham retornado à unidade prisional e, segundo o diretor Gilberto de Assis Oliveira, o clima estava calmo no local.

Cercados por bagagens, um grupo de 20 homens esperava um ônibus no terminal rodoviário ontem à tarde. Se não fosse pela presença de duas viaturas da Polícia Militar com o efetivo fortemente armado, a cena não seria incomum. O grupo aguardava um transporte para levá-los de volta ao IPA, de onde saíram no dia 12.

O Dia das Mães foi marcado pela série de ações do Primeiro Comando da Capital (PCC), que desde a última sexta-feira praticou vários ataques a prédios da Justiça, residências de policiais e ônibus por todo o Estado. Apesar da onda de terror que tomou conta de São Paulo até a segunda-feira, os reeducandos pareciam calmos enquanto aguardavam o ônibus.

“Somos pais de família. Se voltei até aqui com minhas próprias pernas, é porque não tenho nada com isso”, contou um deles. Um dos mais velhos do grupo afirmou que apesar do pânico ter tomado conta da cidade onde estava, ele e sua família não sentiram medo. “O alvo dos ataques não era a gente”, explica. Um outro contou como foi seu final de semana. “Fui visitar minha família em Americana. Lá teve banco que pegou fogo. Muita gente se machucou. Teve até gente morta”. disse.

Sobre a hipótese de que seriam beneficiados com a saída temporária do Dia das Mães os responsáveis pelos ataques, os reeducandos foram ríspidos. “Agora é fácil falar que foi quem estava fora. O governo não dá conta de manter o negócio calmo”, disparou um deles. Ao responder sobre a informação de que o IPA seria o reduto do PCC em Bauru, os detentos desconversaram.

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