Bairros

Estiagem de quase 2 meses eleva em 30% doenças respiratórias

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 2 min

Tosse seca, dor de garganta, asma, bronquite e rinite. As doenças respiratórias estão atormentando a população de Bauru nas últimas semanas. A última chuva significativa na cidade foi no dia 16 de março – há pouco mais de dois meses. A estiagem prolongada é acompanhada por baixa umidade do ar. No horário mais quente do dia, por volta das 15h, a umidade tem ficado na casa dos 20%. Quando o índice é inferior a 30%, é declarado estado de atenção por aumentar os riscos à saúde e de incêndios.

A estiagem já está afetando a saúde da população. O número de pacientes que procura atendimento no Pronto-Socorro (PS) Central com problemas respiratórios aumentou em 30% neste mês. Crianças e idosos são os que mais sofrem. No Pronto-Atendimento Infantil (PAI), dos 300 atendimentos realizados por dia, 70% dos casos são de crianças com este tipo de doença.

A chefe de pediatria do PAI, Sandra Caldeira Veloso Cariello, explica que o tempo seco irrita as mucosas e vias aéreas superiores (nariz e garganta). Se existir febre por mais de três dias, é preciso maiores cuidados. “O quadro de febre e tosse pode evoluir para pneumonia e o problema torna-se mais sério”, afirma.

A ingestão de líquidos pode amenizar os sintomas da tosse seca, mas as doenças respiratórias só tendem a diminuir com a mudança do clima, assegura a médica. “Os meses de abril a junho são típicos das doenças respiratórias. Já contávamos com o aumento da demanda e por isso, preferimos dar férias aos funcionários nos meses de dezembro a fevereiro, quando os atendimentos diminuem”, explica.

Mãe de Guilherme, de 7 meses, Vanessa Rodrigues Bastos decidiu levar o filho para o PAI. “A tosse piorou durante a noite e ele está sentindo falta de ar”, preocupa-se. Para melhorar os sintomas, o bebê fez inalação.

Na mesma sala, Evalde, 3 anos, irmão mais novo de Paulo Henrique de Jesus Silva também fez inalação. “Ele está quieto hoje, mas normalmente não é assim. Ultimamente está tossindo durante o dia e a noite inteira”, conta.

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Abastecimento

A estiagem também pode diminuir o nível de água dos rios e provocar um possível racionamento de água. Mas, por enquanto, o problema está descartado na cidade. “O nível do rio Batalha está normal. Mesmo assim, é necessário economizar água porque se a estiagem continuar por período prolongado, poderá haver deficiência no abastecimento”, alerta o diretor de divisão de produção do Departamento de Água e Esgoto (DAE), José Brazoloto.

O consumo de água em Bauru pela população não aumentou nas últimas semanas. “Com o frio, as pessoas usam menos água. Mas, mesmo assim é bom evitar banhos demorados e verificar se existe algum vazamento de água em casa”, explica.

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