A saúde pública convive, diariamente, com a dificuldade de adequar a demanda ao número de leitos disponíveis. O esforço, muitas vezes, esbarra numa equação ainda mais complicada: se houver uma única chance, deve-se salvar a vida de um jovem ou de um idoso?
“Eu entendo essa dificuldade (inerente à área médica) porque a nossa quantidade de leitos é muito reduzida. É uma dicotomia que acaba afetando o idoso, como efeito colateral. Se uma criança ou um homem em idade produtiva precisarem de atendimento, serão priorizados (em detrimento do idoso)”, comenta Rosemary Lopes de Moura, membro do Conselho Municipal de Saúde.
Ela, no entanto, não acredita que os hospitais evitem a internação de idoso com estado de saúde crônico para evitar alta no número de óbitos. “As estatísticas são separadas por faixa etária e doença”, explica. O Hospital Estadual de Bauru (HE), por exemplo, registrou 2.036 internações de pacientes com idade acima dos 70 anos no ano passado. O número representa 25% do total.
De acordo com a assessoria de imprensa da entidade, que descarta qualquer tipo de resistência no atendimento a esses pacientes, a maioria deles (18,4) chega à instituição com pneumonia. Na seqüência, são encaminhados em decorrência de doenças do coração (15,4%), diabetes (12%), acidente vascular cerebral (10%) e fratura do fêmur (8,2%). Em média, permanecem internados por 30 dias.
O JC não conseguiu contato a superintendência da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), nem com o diretor do Departamento de Urgência e Emergência do Pronto-Socorro Central, José Roberto Berber.