Economia & Negócios

Série de fatores emperra indústria

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

Política cambial, gastos públicos, infra-estrutura e reformas constitucionais. Esta será a pauta do Congresso Reformar para Crescer, que será realizado entre 25 e 26 de maio na Capital pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O objetivo do evento, que deve reunir mais de mil empresários no Centro de Convenções do Expo Transamérica, é formatar uma série de reivindicações da categoria para serem encaminhadas aos candidatos ao governo do Estado e à Presidência da República.

De acordo com José Luiz Miranda Simonelli, titular do Departamento de Ação Regional (Depar) - órgão vinculado à Fiesp - os temas em discussão foram sugeridos em consenso entre todas as unidades regionais da Fiesp. Segundo ele, as propostas não se restringem apenas ao segmento industrial. “Também estão relacionadas ao aspecto social, à geração de empregos, à melhoria da qualidade de vida, enfim, visam o desenvolvimento do País como um todo”, completa.

“Muitos problemas que acometem a indústria chegam de outra forma ao poder público. Estamos tentando levá-los ao conhecimento do governo de uma forma bem realista e conclusiva. Vamos mostrar as deficiências, mas apresentar soluções também”, destaca.

Uma política de incentivo ao transporte ferroviário é um dos pontos principais da pauta de reivindicações da Fiesp, segundo Simonelli. Ele aponta que as dificuldades no escoamento de mercadorias, geradas principalmente pelas más condições das rodovias brasileiras, é um dos fatores que mais oneram o empresariado do setor.

“O transporte ferroviário reduziria o custo de frete dentro do mercado nacional e também em alguns trechos do internacional”, observa. Ainda segundo Simonelli, hoje, apenas grandes cargas, em geral a granel, são atendidas através de trens. As mercadorias de valor agregado, que teriam maior necessidade desse transporte devido ao custo, são transportadas por via rodoviária.

“Hoje, temos condições de tirar mercadoria aqui de Bauru e levar ao Porto de Santos por via férrea. Existe um trilho em atividade, que sai daqui e passa pelo Vale do Ribeira. Estamos fazendo contatos com a Eadi (Estação Aduaneira Interior) e a Brasil Ferrovias para tentar viabilizar esse transporte”, diz Simonelli.

Política cambial

Outro ponto citado pelo titular do Depar é a política cambial praticada no Brasil, considerada por ele como antiquada. Atualmente, todas as mercadorias exportadas são recebidas em dólar, porém, têm de ser convertidas em real, obrigatoriamente. O empresário, após a emissão do documento de exportação, tem até 210 dias para fazer a conversão para a moeda brasileira.

“Toda essa conversão tem custo, porque é o serviço que os bancos prestam. Um dos pedidos feitos pela Fiesp, que inclusive já está em andamento, é a possibilidade das empresas exportadoras do Brasil manterem uma conta em dólar para evitar essa necessidade de conversão”, aponta Simonelli.

Ainda de acordo com ele, as conversões oneram tanto o empresário, que muitos acabam tendo reflexos negativos na produção, inclusive no preço do produto.

O diretor do Depar também revela que as tendências do mercado, hoje, não são nada animadoras. Conforme ressalta, os resultados não apontam para aumento no consumo ou no faturamento das empresas. A inadimplência tem aumentado, principalmente no mês de abril, e o volume de vendas caído significativamente. “Podemos atribuir essa situação ao grande desemprego que existe hoje, que por sinal é gerado por uma grande inflexibilização para a contratação. Os encargos que incorporam o salário inviabilizam as admissões”, analisa.

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