Weggis - O técnico Carlos Alberto Parreira, expôs ontem, pela primeira vez, descontentamento com as condições da Seleção Brasileira na Suíça. Pouco antes de os promotores inaugurarem o pequeno estádio, onde a partir de hoje o elenco começa a treinar, ele chegou a ameaçar tirar o time de campo em Weggis caso a torcida atrapalhe os atletas.
“Se (o assédio e a f esta) atingirem um nível que não atrapalhe, vamos manter o público presente. Caso contrário a gente interrompe. Tenham certeza disso’’, disse ele, em entrevista coletiva.
Os promotores da Seleção na pequena cidade vão lotar o estádio, que tem capacidade para 5.000 pessoas, nos 14 treinos marcados por Parreira em Weggis. Todos os ingressos já foram vendidos. O mais caros custaram 20 francos suíços (cerca de R$ 38).
A delegação desembarcou segunda-feira na Suíça. Além de Parreira, outros integrantes da comissão técnica, apesar do discurso oficial de que tudo funciona bem, colocaram em dúvida a estrutura oferecida. O supervisor Américo Faria disse que o gramado preocupa e não descartou a possibilidade de o time não treinar na cidade. Dois campos já foram selecionados pela comissão técnica. Faria não informou os locais. O gramado está fofo pelo excesso de chuva dos últimos dias. A grama, importada da Alemanha, foi recém plantada.
No início do ano, a Attaro/ Kentaro fechou contrato com a CBF para abrigar em Weggis a Seleção. Por isto, a empresa vai investir US$ 2 milhões entre pagamento de despesas e cachê (a maior fatia do bolo).
Ontem, cerca de mil pessoas participaram da festa de inauguração do estádio. A população oficial de Weggis é de 3.953 habitantes. Zagallo, coordenador-técnico da Seleção, foi outro que censurou a badalação. “O único que está tranqüilo aqui é o santo Antônio”, disse ele, exibindo a imagem do santo.
Nas ruas de Weggis, centenas de pessoas usam camisas do Brasil ou com as cores verde e amarela. O diretor financeiro do comitê de organização, Kaspar Gügler, ficou surpreso com a reação da comissão técnica e disse que os torcedores não serão “calados’’ pelos organizadores. “Faremos um bela festa de boas vindas para os jogadores”. O suíço se recusou a informar se a CBF pagará multa, caso Parreira decida mudar o local de treino.
“Estou certo de que isto não irá acontecer”, disse. Segundo a CBF, a responsabilidade de ressarcimento em caso de uma proibição de Parreira à torcida é da empresa.
Mesmo com elogios à seleção da Croácia, adversária do Brasil na estréia da Copa do Mundo, o técnico Carlos Alberto Parreira descartou mudar o esquema com o “quadrado mágico’’ para uma escalação mais defensiva.
“A Croácia fez uma eliminatória muito boa, ganhou um jogo amistoso da Argentina, e será adversária do nosso jogo de estréia. Mas desde outubro do ano passado eu declarei que começaríamos a Copa com o quarteto’’, disse o treinador em entrevista coletiva ontem.