Weggis - O rebolado brasileiro ajuda a vender churrasco, caipirinha e cerveja em Weggis. A combinação deixa os suíços desinibidos e carrega de erotismo os treinos da Seleção pentacampeã. A pouca roupa usada pelas moças e os efeitos do álcool têm provocado nos torcedores uma sensação de liberdade sexual dentro e fora da Thermoplan Arena, o estádio local.
Nos dias mais quentes, as arquibancadas ficam lotadas de mulheres com a barriga de fora e seios quase à mostra. Mesmo com a chuva de ontem, os locais aproveitaram o dia para “admirar a sensualidade do Brasil’’.
“Já tomei quatro caipirinhas só admirando as meninas do samba. Acho que não vou nem mais entrar no estádio. As mulheres são bem melhores do que os galácticos do Brasil’’, disse o operário Roland Brülhart, 58, suíço típico, segundo as garçonetes brasileiras.
“Os suíços só são abusados depois que ficam bêbados. Mas, se abusar, a gente tem mão para dar tapa na cara”, diz a dançarina Jane Bahia, 27. Ela mora numa cidade próxima a Weggis e atrai clientes para uma barraca de churrasco com sua dança. Nas horas de mais movimento, o local fica cheio de homens. A barraca em que Jane trabalha dá às ruas próximas ao estádio um ar de feira de produtos eróticos. Um manequim vestido com roupas íntimas divide o espaço com as dançarinas.
“Venho aqui por causa da combinação brasileira e cachaça”, admite o suíço Remo Baumeler, da vizinha Lucerna. Ele freqüenta uma tenda em que as garçonetes deixam o balcão para dançar com os clientes. “As brasileiras são legais, amigáveis e quentes, tão quentes”, afirma, suspirando.
Baumeler conta que mediu a “temperatura” das brasileiras ao namorar uma. Na última sexta, no momento em que uma brasileira invadiu o campo para deitar-se sobre Ronaldinho, cena típica de um filme impróprio para menores simbolizava esse erotismo.
Na arquibancada, uma brasileira deixava um jovem, provavelmente suíço, por a mão por baixo da saia e acariciar as suas nádegas. Outros homens, alguns brasileiros, assediaram a mulher, que precisou lembrá-los de seu acompanhante.
“Mulher bonita tem no mundo inteiro. Mas a brasileira tem aquele charme especial, que mexe com a gente”, declarou Ronaldinho. No lugar de rebolado, uma loira comportada e o hino brasileiro. É assim que uma barraca comandada por suíços enfrenta a concorrência verde-amarela ao lado do estádio de treinos da Seleção.
Pelo menos ontem, o local em que Maya Reis, 32, vende chope brasileiro e caipirinha tinha pouco movimento. Ela afirmou não se incomodar com as barulhentas concorrentes. Nas boates da cidade, são poucas as suíças que se arriscam a rebolar.
“Nunca tinha ouvido essa música”, disse uma delas, desengonçada, que se afastou sem revelar seu nome. Não acreditou que as perguntas tinham finalidade jornalística. As suíças sofrem assédio constante dos brasileiros.