A América Latina Logística (ALL), empresa que adquiriu o patrimônio da Brasil Ferrovias e Novoeste, incluindo Bauru, se surpreendeu, ontem, com a informação de que a operadora do sistema ferroviário na cidade estaria recebendo aluguel pela cessão de um galpão, na região central, que foi transferido para o Sindicato dos Ferroviários desde meados de 2003.
A cobrança de aluguel pelo galpão, mencionada em cerca de R$ 1.540,00 por mês, está sendo considerada irregular e ilegal pelo sindicato em função do pátio ferroviário e de imóveis adjacentes terem sido transferidos para a entidade em homologação de ação trabalhista desde junho de 2003.
Apesar da irregularidade, o sindicato agora corre contra o tempo para impedir que a cobrança dos valores gere pendência capaz de prejudicar a liberação do imóvel que vai abrigar shopping temático interligado ao Calçadão da Batista de Carvalho, no Centro de Bauru. A entidade ainda vai buscar a liberação amigável do galpão utilizado pela empresa de transporte e logística Transmeta - transbordo, de São Paulo.
Contada para comentar sobre a existência do aluguel em patrimônio sob o domínio do sindicato, a ALL mostrou surpresa. A assessoria de imprensa destacou que as operações exercidas pela Novoeste, como aconteceu em Bauru, foram assumidas pela empresa há apenas duas semanas. “O parque ferroviário de Bauru, como em outros lugares, foi adquirido há duas semanas apenas, então a ALL ainda está se inteirando do que há pendente, do que temos a fazer e quais são as prioridades. Vamos levantar as informações referentes á ocupação desse galpão e prestar informações o mais rápido possível, colaborando com uma solução regular se for levantada alguma situação pendente”, comenta a assessoria.
O diretor do Sindicato dos Ferroviários, José Carlos da Silva, considerou absurda a manutenção do aluguel. “A Novoeste tentou o tempo todo não prestar informações sobre a cobrança por algo que pertence ao sindicato. Vamos tentar junto à nova empresa, América Latina Logística, que interceda para uma solução amigável. A questão é liberar a área sem necessidade de conflito judicial, porque é claro que o galpão não pode continuar sendo utilizado por alguém que não tem contrato com o dono. A área está sendo vendida para o grupo que vai construir o shopping”, esclarece.
Apesar da situação tida como irregular, o sindicato se dispõe a negociar de forma amigável com a empresa de transportes e logística que explora o galpão através de aluguel. “O sindicato quer negociar para que o galpão seja liberado sem conflito. Não há tempo para adiar a liberação e a empresa que aluga seria convidada a desocupar o imóvel de qualquer jeito. Se tiver problema, os caminhões podem ser bloqueados, impedidos de entrar no imóvel que é do sindicato. Queremos resolver o problema”, reforça Da Silva.
A empresa de transbordo foi contatada pelo JC, em São Paulo, mas seu representante não retornou para comentar o assunto.