Na rodovia Bauru-Jaú, à altura do lugarejo de Guaianás está o pesque-pague Vó Bina, onde há algum tempo fui usufruir o prazer de uma tarde ensolarada e propícia à fisgada de belos exemplares. Passadas mais ou menos duas horas sem que houvesse obtido algum sucesso, eis que, ao recolher a linhada, ela enroscou em alguma coisa no fundo do lago.
Certo de que iria retirar apenas uns pedaços de galhos ou limbo na ponta da linha, para minha surpresa o que aflorou foi uma bela vara de nylon amarela marca KT 194-401 e o respectivo molinete Classic 1500. Ali mesmo coloquei o anzol e a chumbada na linha e passei a usar o molinete próprio à atividade e de fácil manejo.
Se bem que há um adágio sobre a alegria do pobre que pouco dura, a minha também permaneceu até que me dirigi a outro pesqueiro, muito bem organizado, com plataformas para o pescador, mesas com guarda-sol, caixa de madeira para iscas ou comes e bebes, etc.
No decorrer do tempo foi fisgado um pacu de bom tamanho. Fui recolhendo a linha com muito cuidado, pois, ela era fina e poderia arrebentar se fosse forçada. Quando o peixe chegou ao lado da plataforma, de cerca de 30 centímetros acima da água, ficou preso com a cabeça encostada nas tábuas e fora d’água.
Peguei o gancho que havia ganho há pouco tempo, com uma capa de tecido e alça de segurança e fui colocá-lo na boca do peixe para poder retirá-lo da água. Porém, inadvertidamente, não passei a alça de segurança pelo braço e, ao soltar a trava, quando ela se travou na boca do peixe, ele deu uma forte rabanada e um golpe de cabeça que fez com que o gancho escapasse da mão e fosse para o fundo do lago engastalhado na queixada do pacu.
Tentei recuperar a presa, mas não consegui e, se por acaso algum pescador tiver a surpresa de fisgar o que acredito seja apenas um esqueleto com um gancho preso na boca, pode me procurar que lhe dou a capa guardada no fundo da gaveta do armário.
Walther Mortari é pescador e contador de histórias.