O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP) instalou ontem procedimento para investigar as relações entre a crise do serviço do lixo enfrentada pela Prefeitura de Bauru e suposta doação de campanha à aliança Tuga-Purini em 2004. A apuração foi instalada com base nos levantamentos realizados com exclusividade pelo JC, nesta semana.
O promotor Fernando Masseli Helene informou que abriu investigação ao tomar conhecimento das informações apuradas pelo JC que dão conta de eventual contribuição financeira à campanha tuguista, de até R$ 400 mil, que não estaria declarada na prestação de contas do então candidato a prefeito. Conforme o representante do MP, a investigação pode ensejar procedimento na área de improbidade administrativa ou ser enviado para a esfera eleitoral, em razão das regras para captação legal de recursos financeiros para campanhas e as exigências para o registro e prestação de contas.
Depoimentos recebidos pelo JC dão conta de que a crise em torno da terceirização do lixo, que se arrasta há um ano e meio, teve origem em uma suposta contribuição financeira à campanha eleitoral vencida pela aliança Tuga-Purini, em 2004. O atual conflito, explicitado anteontem pelo JC, teria relação com este compromisso financeiro de campanha, que teria sido assumido em reunião, em São Paulo, antes da eleição, com as presenças de Tuga Angerami, do vice, Renato Purini, e de Jorge Monteiro, este exonerado no início do ano da Diretoria de Limpeza Pública da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano Rural (Emdurb). Pessoa diretamente ligada à coordenação de campanha fez as revelações sigilosamente ao JC.
Conforme os depoimentos colhidos pelo JC, Purini e Monteiro teriam participado de reuniões preparatórias na Capital com representante da empreiteira Marquise, através de um intermediário. As conversações teriam sido no sentido de garantir contribuição à campanha, cujas remessas teriam ocorrido em dinheiro, segundo participante do grupo de coordenação da aliança, à época.
Para definir a contribuição, o atual prefeito, juntamente com o vice, Renato Purini, e Jorge Monteiro, teriam participado de reunião em hotel de São Paulo para confirmar o recebimento das contribuições. A reunião contou com a testemunha do próprio Monteiro e Purini.
No início deste ano, Jorge Monteiro foi exonerado sem explicações da Diretoria de Limpeza Pública da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb), presidida por Purini. Preterido pelo grupo que ajudou a eleger, Monteiro ainda encontra-se fora do governo. Na semana passada, o próprio Purini discutiu a situação do ex-diretor de Limpeza Pública da Emdurb com o chefe do Executivo.
Ao comentar sobre a suposta contribuição de campanha, o chefe de Gabinete do prefeito, Paulo Sérgio Canalli, disse que os recursos obtidos para a aliança eleitoral estão declarados na Justiça Eleitoral, onde não consta quantia de até R$ 400 mil com identificação de empreiteira do ramo do lixo, conforme o informado pelos depoimentos colhidos pelo JC.