Bairros

Período afeta mais quem tem alergia

Da Redação
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O tempo esfria e logo o movimento nos prontos-socorros e hospitais aumenta. Reflexo disso é que apenas em maio deste ano a rede municipal de saúde de Bauru registrou mais de 6.000 atendimentos de pacientes com problemas respiratórios, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde. De acordo com especialistas ouvidos pela reportagem, a incidência de doenças respiratórias aumenta em até 200% nos meses de frio, quando comparados ao período do calor.

No caso de Bauru, o frio fora de época ocorrido em maio foi a principal causa para o aumento da procura aos hospitais. “Todo mundo está cansado de saber que o inverno é época propícia à manifestação de resfriados”, afirma o médico Arnaldo Sant’anna, especialista em doenças respiratórias.

Em fevereiro deste ano, por exemplo, mês que costuma ser marcado pelo tempo quente e chuvoso, a quantidade de casos de problemas respiratórios que chegaram aos hospitais e postos de saúde de município foi pouco mais de 2.700. A maioria era de gripes e resfriados.

Segundo Joaquina Maria de Mello, médica imunologista, as baixas temperaturas fazem com que as pessoas fiquem resfriadas. “O frio faz com que pessoas alérgicas manifestem reações no sistema respiratório com maior facilidade”, garante.

Sant’anna concorda com ela. “Muitos pensam que se trata de uma questão de resistência do organismo, mas na verdade as infecções como resfriados afetam pessoas que têm sensibilidade alérgica”, explica. “Se fosse verdade que se trata de um problema de resistência do organismo, um pessoa forte e saudável jamais ficaria resfriada depois de ficar no frio sem proteção”, argumenta o médico.

Vanessa Onofrillo Oliveira integra o grupo de bauruenses que sofrem de rinitte alérgica. “Quando chega o inverno, tenho de correr ao médico”, conta. Ela diz possuir outros casos de problemas respiratórios na família. “Meu irmão sofre de bronquite asmática e meu filho já apresenta alguns sintomas de doença alérgica”, afirma´.

Segundo os dois especialistas, fatores como baixa umidade relativa do ar, poeira e poluição só podem ser responsabilizados pelas doenças respiratórias no caso em que as pessoas possuem sensibilidade a esses fatores. Sant’anna vai até mais longe. “Essa história de que falta de vitamina ou ficar em lugares aglomerados deixa doente é tudo conversa. Se a pessoa não for alérgica, não fica resfriada”, explica.

“Os vírus estão em toda parte, mas se não tivermos algum tipo de sensibilidade no organismo e não nos expusermos ao frio, não há perigo de ficarmos doentes”, argumenta.

Os especialistas garantem que é preciso cuidado especial com os problemas respiratórios. “As pessoas ficam resfriadas e, ao invés de procurarem tratamento com o médico, preferem ficar em casa esperando a cura chegar sozinha. Quando vão ver, o quadro avançou para problema mais grave e os pulmões já estão afetados pela infecção”, alerta.

Para Sant’anna, o maior cuidado deve ser tomado durante a noite e o sono. “É que o frio que recebemos nesse período é mais nocivo, já que o corpo está parado. Durante o dia, os danos são menores, pois nosso corpo esquenta quando nos mexemos”, explica.

O médico recomenda que as pessoas agasalhem-se bem, para evitar ficar doentes por culpa do frio. “Se possível, deve-se dormir agasalhado, com blusas. Assim se evita o contato do corpo com o frio”, diz.

Mello também dá alguns conselhos que ajudam a evitar doença típicas do inverno. Pessoas alérgicas não devem ter contato com fatores que possam afetar seu organismo. “Alguém que tenha sensibilidade à poeira deve evitar esse tipo de contato.”

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Atenção

Vaporizadores, bacias com água e toalhas molhadas são alguns objetos que já se incorporaram ao mobiliário do quarto de muitos alérgicos e portadores de doenças respiratórias, sobretudo no tempo de inverno. Para muitas pessoas, essa presença significa combate ao ar seco e à poeira, o que na prática representaria noites tranqüilas de sono, livres de crises de tosse ou espirro.

O que elas não sabem é que muitas dessas práticas são completamente ineficazes, enquanto outras são perigosas. Os vaporizadores estão entre os objetos de uso condenado pelos especialistas. “A umidade produzida por esses aparelhos favorece a proliferação de fungos, que ajudam a piorar a situação de um doente respiratório”, afirma a médica Joaquina de Mello Correa.

Segundo ela, as pessoas não são capazes de fazer a limpeza adequada desses produtos. “Quando alguém percebe a presença dos fungos, eles já estão muitos alastrados”, diz. O médico Arnaldo Sant’anna aponta outro problema dos vaporizadores. “Eles podem produzir excesso de umidade e isso pode desencadear crises respiratórias nos doentes”, pondera.

Já toalhas e bacias com água não representam qualquer perigo, apesar de também não proporcionarem qualquer benefício aos pacientes. “É apenas crendice popular”, afirma Sant’anna.

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