A estréia do Brasil na Copa do Mundo tirou as pessoas das ruas, do comércio, dos hospitais e até da missa. Ontem, enquanto os brasileiros estavam em campo contra a Croácia, o frei Sérgio Pagan celebrava a tradicional missa do Dia de Santo Antonio, na igreja do Jardim Bela Vista.
A celebração, que costuma lotar as dependências do templo, com capacidade para cerca de 1.200 pessoas, foi acompanhada por menos de 100 fiéis. E o detalhe foi que as pessoas que resolveram assistir a missa - a maioria - tinha às mãos a bandeira do Brasil, quando não estavam com a camisa amarela da Seleção.
Marcos Lote Biz, 41 anos, acompanhava a celebração ao lado da mulher, do filho e de mais dois sobrinhos pequenos. Os cinco estavam uniformizados com a camisa amarela do Brasil. “Viemos à missa para participar desse dia de Santo Antonio e também pedir uma forcinha para a Seleção. É claro, estamos aqui, mas ficamos curiosos para saber quanto está o placar do jogo”, dizia o rapaz.
Já pela manhã, a igreja ficou lotada. Os fiéis acordaram cedo para ir à igreja de Santo Antonio pedir e agradecer por graças recebidas. O tradicional pãozinho de Santo Antonio, mais uma vez, foi concorrido. Quem não levou o alimento para ser benzido durante a missa aproveitou os pãezinhos que foram distribuídos gratuitamente o dia todo.
O bolo de Santo Antonio, também tradicional, acabou logo pela manhã. Mas a festa continua. Hoje haverá missa pelos falecidos às 19h30. Amanhã, quando a Igreja Católica comemora Corpus Christi, será celebrada missa na Igreja de Santo Antonio às 19h30. A quermesse segue de amanhã a domingo.
Quem também não acompanhou o confronto de brasileiros e croatas na Alemanha foi Wilson da Silva, 53 anos, motorista de ônibus em Bauru. Enquanto ainda corria o primeiro tempo da partida, ele passava pela avenida Rodrigues Alves em busca de passageiros. A intenção era válida, já que estava trabalhando, porém, em vão. Não havia pessoas à espera de ônibus. “É a primeira Copa que passo trabalhando. Não tenho rádio aqui no ônibus e não encontro nenhum passageiro para me informar. Mas, esse é o jeito, o trabalho em primeiro lugar”, comentava.
Os serviços também não pararam no Pronto-Socorro Central de Bauru, embora em menor quantidade. O número de pacientes diminuiu à metade ontem no horário do jogo, mas mesmo assim, enfermeiros, médicos e recepcionistas bem pouco conseguiram acompanhar a vitória de 1 a 0 do Brasil sobre a Croácia.