É inquestionável que tudo que movimenta a economia de um País gera emprego, renda e conforto pessoal e concorre para o aumento do consumo de eletricidade. De outro lado, temos que toda forma de gerar, transmitir e distribuir energia elétrica “custa caro e agride o meio ambiente”. Estudo da Empresa de Pesquisa Energética demonstra que no Brasil o consumo de energia elétrica cresce em média 2% a mais que a economia. No ano passado, o consumo de eletricidade cresceu 4,6 % e o PIB 2,3%. Para solucionar esse conflito é necessário que se tenha uma visão macro dos aspectos ecológico, energético e econômico. A título de ilustração, é preciso ter consciência que o consumo de eletricidade no Brasil é apenas 2,5% do mundial, embora ocupemos a posição de 11ª (a mesma da economia). Para se ter uma idéia, os EUA consomem em torno de 30% (só em nuclear, duas vezes a potência do Brasil), seguido pelo Japão com 8% (28% nuclear). Por outro lado, o crescimento econômico explosivo da China está vorazmente destruindo o meio ambiente e consumindo todo tipo de energia. Só no ano passado o acréscimo na eletricidade foi de 12%, contra 9% na economia. A usina hidrelétrica que está sendo construída para entrar em funcionamento em 2008 supera a de Itaipu e será a maior do mundo. Seria até louvável se houvesse um marco regulatório confiável. No Brasil, nas áreas de geração e transmissão de eletricidade, há conflito entre os órgãos responsáveis pelo projeto e pela concessão da licença ambiental. Não há o entendimento que a formação acadêmica e profissional na área de conforto é imprescindível, mas deve prevalecer a humildade de curvar-se diante da realidade das demais áreas envolvidas. Outra prática usual e que precisa ser abortada, é a de se conceder “licença ambiental provisória”, que muitas vezes é suspensa ao longo da construção ou após o seu término, gerando manifestações violentas.
Fundamentados nesse espírito proativo e participativo, Sindicato dos Engenheiros, Crea e Associações de Engenheiros estão promovendo em todo Estado uma série de seminários, sob a chancela “Cresce Brasil”. O primeiro debate ocorreu em Bauru, no último mês de março, na Assenag, em parceria com o JC, que designou para mediador o competente João Jabbour, e o tema foi “Energia”. Ainda nessa linha de informação, formação e estímulo à participação sobre o tema, a CPFL tem realizado ao longo dos anos cursos voltados aos órgãos públicos, objetivando implementar a “Gestão Energética Municipal”. Essa relação conflituosa nos remete à conclusão que ganhou notoriedade em 1972, na primeira Conferência da ONU voltada para o ecossistema, realizada na Suécia, que consagrou o dia 05 de junho como o dia internacional do meio ambiente: “racionalizar a gestão dos recursos naturais é preservar o meio ambiente e, assim, preservar a vida”.
O autor, Braz Melero, foi regional da CPFL e presidente da Cohab