A última pesquisa realizada em 27 e 28 de maio passado pelo Instituto Vox Populi – Carta Capital - revelou o que outros institutos vêm apontando. Lula tem 49% das intenções de voto contra 23% para Alckmin.
Este estudo aponta também que, em 1989, os eleitores com mais de 40 anos de idade representavam 35% do eleitorado. Hoje são 45%. Os mais velhos, historicamente, comportam-se como eleitores de Lula.
Em 1989, as pessoas com baixa escolaridade eram 61% do eleitorado e tinham até o primeiro grau e, mais precisamente, até a quarta série. Em 2006, este percentual caiu de 61% para 36%, que hoje se agregaram à chamada classe média baixa, ou seja, houve aumento do tempo desta faixa na escola e um pequeno acréscimo no poder aquisitivo. As classes com ensino médio e superior passaram de 21% para 40% do eleitorado em 2006.
Essas pesquisas qualitativas mostram que, além de eleitores de baixa escolaridade e renda do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, Lula também vem captando votos entre 13% a 15% na camada de classe média e de maior formação cultural. Isso explica porque Lula não cai nas pesquisas. Não são só os pobres que votam nele.
Aliás, a elite e a grande mídia ainda não acordaram para esta realidade. Continuam com preconceitos arraigados contra os menos favorecidos. Acham que são uma massa desinformada, burra, escória da sociedade e sem vontade própria. A classe média, por sua vez, está atenta para este processo, pois teve seu poder aquisitivo mantido, os preços dos gêneros alimentícios baixaram, o Prouni está colocando os filhos desta camada nas universidades, e ela continua comprando e utilizando cartão de crédito, já que temos uma inflação domada, apesar da necessidade de controlar os juros, o que se fará no curto prazo.
Em São Paulo, nesta pesquisa, a diferença entre Alckmin (primeiro lugar) e Lula já caiu de 33% para 22% em relação a anterior. Em outra realizada pelo Ibope em 13 de junho, Lula está com 48% e Alckmin 19%. Enquanto Lula tem 28% de rejeição, seu concorrente tem 34%. A aprovação total do governo Lula chega a 60%.
Agora, o dado mais importante: em relação à disputa no estado de São Paulo, ninho dos tucanos, Lula não só alcança Alckmin como o supera por 33% a 28%. É por isso que Alckmin está pedindo água e procura desesperadamente o real apoio de José Serra para se sustentar por aqui. No entanto, Serra quer vê-lo o mais longe possível, pois as feridas abertas durante a disputa suicida dos tucanos levaram a este caos.
Neste arranjo político, confronto explícito entre os tucanos, vemos e sentimos a total viabilidade de crescimento da candidatura de Mercadante e de chegada ao segundo turno, mesmo que o PSDB troque o seu candidato à presidência, como parece possível ocorrer, para tentar impedir que Lula liquide a fatura já no primeiro turno.
Selma Moraes Peres - secretária executiva do PT de Lins