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Portas de presídio são soldadas em Araraquara

Folhapress
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Ribeirão Preto - Os cerca de 1.600 presos que estão no anexo do presídio de Araraquara (SP), considerado modelo, estão isolados desde o último final de semana, após a direção ter soldado as portas de acesso ao pavilhão onde ficam as celas. Os detentos estão aglomerados em um espaço criado para abrigar 160 pessoas. O pavilhão foi o único dos quatro que sobrou após rebelião liderada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), que destruiu quase totalmente a unidade.

Com as portas soldadas, ninguém entra nem sai. Aglomerados no pavilhão, os presos recebem comida por uma espécie de compartimento no teto, que é aberto apenas para a passagem dos alimentos na hora de almoço, segundo o diretor do Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado, João Batista Pancioni. “Se pegar fogo lá, todo mundo morre queimado porque está tudo lacrado, mas essa foi a forma que o Estado encontrou para manter os presos dentro da unidade. O governo também não sabe o que fazer com o sistema prisional”, disse.

A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que visitou anteontem o local, diz que os presos estão ao relento e sem roupas. A assistência à saúde é feita pelo médico Hosmany Ramos, também um detento do local.

Na rebelião coletiva durante a crise no Estado gerada pelos ataques do PCC, concentrados entre 12 e 20 de maio, o anexo foi amplamente destruído - as portas das celas foram arrancadas, as paredes derrubadas e as câmeras, quebradas. Por isso, a Secretaria da Administração Penitenciária decidiu transferir os 600 detentos para a penitenciária, que fica ao lado e que também acabou superlotada. O objetivo da transferência era permitir a reforma do anexo, mas as obras não foram iniciadas e, no último fim de semana, a penitenciária também foi completamente destruída em outra rebelião.

Os presos, então, tiveram de voltar para o anexo de detenção provisória, destruído há mais de um mês. A situação caótica não ocorre só em Araraquara. Presídios em cidades como Mogi das Cruzes, Iaras e Hortolândia também mantêm os detentos em locais depredados há mais de um mês.

A Secretaria da Administração Penitenciária do governo Cláudio Lembo (PFL) não respondeu às perguntas feitas por e-mail, como pedido, sobre o que será feito. Anteriormente, havia dito que as duas unidades precisam de obras emergenciais, mas não apontou qual terá atendimento prioritário.

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