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Potência econômica em 2020?


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Um relatório divulgado pela Companhia de Inteligência dos Estados Unidos, a CIA, vaticinou que daqui a 14 anos os Estados Unidos dividirão a hegemonia global com a China e a Índia. E que o Brasil, junto com a África do Sul, a Indonésia e a Rússia, será uma potência econômica. Com base nesse exercício de futurologia, sob a ótica da superpotência americana, o ex-embaixador Rubens Barbosa fez considerações diversas, que resultaram em artigos na imprensa. Agora, esses escritos estão coligidos no livro Relatório da CIA -como será o mundo em 2020, lançado na semana passada na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), pela Ediouro.

Respeitamos muito o embaixador Rubens Barbosa, nosso colega na Fiesp, onde preside o Conselho Superior de Comércio Exterior, e também cremos na boa-fé dos analistas da CIA. Porém, muito embora essas previsões nos encham de orgulho, nenhum brasileiro poderá crer, mesmo em meio à empolgação e delírio nacionalista nestes dias de Copa do Mundo, que o País possa, em tão curto espaço de tempo, atingir tamanho destaque no cenário geopolítico mundial. Com os modestos índices de crescimento que vem registrando, abaixo da média mundial, o Brasil, em 14 anos, não sairá da retaguarda dos países emergentes (o grupo chamado BRIC) e poderá mesmo perder posições entre os países em desenvolvimento, vizinhos nossos na América do Sul.

Ademais, não é preciso recorrer aos relatórios americanos. A Fiesp, por meio do seu Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon), tem provado competência nas análises que faz. A previsão que fez da taxa de crescimento do PIB para 2005 foi a que mais se aproximou dos efetivos 2,3% registrados no ano, entre os vários índices apontados por dezenas de institutos de pesquisas.

Se tem sido competente para diagnosticar o mal, a Fiesp também tem preparado o antídoto para a cura. No ano passado, a Entidade encaminhou ao Ministério da Fazenda um estudo com vistas à redução da carga tributária, tomando como ponto de partida o controle dos gastos públicos. A proposta da Fiesp visa romper o círculo vicioso do aumento dos gastos correntes, que acarreta elevação da carga tributária e endividamento, além da conseqüente queda nas taxas de investimento. A proposta está baseada em experiência bem-sucedida na Nova Zelândia. Técnicos da entidade, em visita àquele pequeno país, membro da Comunidade Britânica de Nações, conheceram o modelo de política fiscal que conseguiu reduzir a relação Dívida/PIB de 50% para menos de 27%.

Algum segredo ou recurso mirabolante? Não. O governo neozelandês apenas seguiu um axioma simples da economia, qual seja, o de não gastar além do que se arrecada. Além disso, adotou nas contas públicas o mesmo modelo de gestão que é adotado nas empresas privadas, que se apóia em indicadores de desempenho, transparência nos resultados e responsabilidade dos gestores.

Se aplicar a receita dos neozelandeses, o Brasil poderá sim estar confirmando as previsões contidas no Relatório da CIA, que o colocam como potência econômica de 2020. Do contrário, estaremos apenas no terreno das previsões, ou simplesmente fazendo exercícios de futurologia, como observou o nosso embaixador.

O autor, Alexandre Eugênio Serpa, é economista, empresário e diretor do Departamento de Ação Regional da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo - Fiesp

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