Politicando

Copa com os índios


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Esta aconteceu no noroeste do Amazonas, na região conhecida como “Cabeçado Cachorro”, quase fronteira com a Colômbia. O barco do Exército brasileiro descia o rio Tiquié, afluente do Uapés, que, por sua vez, desemboca no rio Negro, após ter cumprido a missão de suprir o longínquo destacamento de Pari Cachoeira, onde além do Exército há apenas uma missão religiosa junto às comunidades indígenas da área.

Era mês de julho de 1998 e a Copa do Mundo rolava a todo vapor na França.

O barco não tinha TV, pois aquele “luxo” ainda não havia chegado aos tripulantes das embarcações do Exército que abastecem os destacamentos na fronteira. Naquele dia, o Brasil jogaria contra a Holanda e a tripulação já estava conformada em não poder assistir ao jogo, pois só chegaria a São Gabriel da Cachoeira daí a dois dias.

Lá pelas tantas, apareceu na frente do barco do Exército uma canoa indígena com apenas um índio remando e fazendo sinal para parar. Após a parada, o índio subiu a bordo e foi falar com o comandante e foi logo dizendo: - O ”Capitão” quer “óleo de motor”. Traduzindo: O cacique da tribo pediu óleo diesel para acionar o gerador de luz existente na comunidade. E emendou :

- “Capitão” quer ver jogo do Brasil na TV e acabou “óleo de motor”.

O comandante do barco coçou a cabeça e rapidamente decidiu que daria uns litros de óleo diesel ao “Capitão”, mas com uma condição, que toda a tripulação pudesse assistir ao jogo também. Trato feito, o barco parou na aldeia, abasteceu o gerador dos indígenas e todos puderam assistir ao jogo e vibrar, junto aos mais legítimos brasileiros - os índios - , com a excelente vitória do Brasil frente à Holanda, nos pênaltis, com o Taffarel pegando tudo.

Enviada por José Ricardo Siqueira Silva

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