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Novo aparelho do Centrinho agiliza identificação de doenças genéticas

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

O aparelho de cariotipagem automática e citogenética molecular que o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais, o Centrinho, da Universidade de São Paulo (USP) instalou ontem, além de fazer parte do projeto de pesquisa com células-tronco - que pretende futuramente fabricar orelhas, cartilagens e partes ósseas para implante – vai auxiliar no trabalho de avaliação de possíveis alterações em cromossomos, que já é desenvolvido pela entidade.

“Todo o processo era feito manualmente. A pessoa observava a lâmina no microscópio e ia desenhando os cromossomos à mão. Para terminar toda a cariotipagem, demorava cerca de 40 dias”, explica Esiquiel de Miranda, biólogo geneticista – e não médico, como foi publicado pelo JC na edição de ontem. Com o novo equipamento, o trabalho será reduzido a, no máximo, 12 dias. “Ele capta a célula e automaticamente um software faz o processo. No final, você imprime a foto dos cromossomos e o laudo”, conta.

Dessa forma, os especialistas poderão identificar mais rapidamente as mal-formações de cromossomos, que causam diversas síndromes, como a de Down, por exemplo. O aparelho também será utilizado no projeto experimental que está sendo desenvolvido em parceria entre a entidade e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Conforme divulgado ontem pelo Jornal da Cidade, o projeto ”Células-tronco: engenharia tecidual/regenerativa e estudo citogênico em malformações faciais” prevê, a longo prazo, a fabricação de orelhas, ossos para a mandíbula e narizes a partir de células-tronco adultas, para implantar em pessoas com mal-formações craniofaciais.

De acordo com Miranda, o equipamento será utilizado para verificar a quantidade de oncogênese, ou seja, a probabilidade de formação de tumores. O projeto é experimental e, segundo o geneticista, os principais desafios que a equipe multidisciplinar que vai atuar nas pesquisas podem encontrar são o controle das divisões celulares e também das ativações gênicas.

O equipamento de análise de cromossomos é nacional, e a tecnologia que será empregada no projeto, já foi obtida nos Estados Unidos e trazida pelos pesquisadores Silvio e Mônica Duailibi, do Centro Interdisciplinar de Terapia Gênica da Unifesp (Cintergen). O Centrinho será pioneiro no Brasil. Também fazem parte da equipe José Alberto de Souza Freitas, superintendente do Centrinho, Tânia Yoshico Kamya, Rubens Rodrigues Matias e Tânia Mary Castelari, doutoranda da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB).

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