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Mesmo com ortopedista e clínico, Pronto-Socorro ficou lotado ontem

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 3 min

No final de semana, a falta de médico ortopedista por 12h no Pronto-Socorro (PS) Central e de pediatra no PS da Bela Vista gerou filas, demora no atendimento e reclamações. Ontem de manhã, apesar do PS Central ter um ortopedista, quatro clínicos gerais e um cirurgião atendendo à população, as filas continuavam grandes, com espera de mais de três horas para os pacientes. No mesmo período, nos dois Pronto-Atendimentos Infantis (PAI) - ao lado do PS Central e no Bela Vista - não existiram filas nem reclamações. Pela manhã, os quatro pediatras do PAI e os outros dois do Bela Vista trabalharam normalmente.

O diretor do Departamento de Urgência e Emergência, José Roberto Berber, não soube precisar quantas pessoas passaram pelo PS ontem de manhã, mas avalia que o número de atendimentos quase dobrou. Nos últimos três meses, a média diária de atendimentos do PS Central saltou de 350/dia para 600/dia – grande parte deles relacionados às doenças respiratórias.

Segundo ele, as segundas-feiras de manhã são ainda mais complicadas. “Segunda-feira é dia de pico. Os pacientes com problemas acumulados no final de semana procuram atendimento este dia”, diz.

Aos finais de semana, o problema se agrava. Sem pediatras para compor a escala de plantão do PAI, o atendimento depende da iniciativa de alguns médicos. A falta de médicos também reflete-se de outras maneiras.

Além dos problemas de saúde típicos de inverno, a prefeitura está enfrentando uma crise, com déficit de 41 clínicos gerais na rede básica de Saúde de Bauru, segundo o secretário da pasta, Mário Ramos. Em junho, nove médicos deixaram a rede municipal de saúde, o que agravou o problema no setor. Além disso, o concurso público aberto para a contratação emergencial de médicos teve pouca procura.

Até ontem, apenas um cirurgião e outro ortopedista haviam sido contratados. O prazo para inscrições que teria terminado na última sexta-feira prorrogou-se até o fim desta semana. Por outro lado, a revisão salarial da categoria, cujo projeto deu entrada na Câmara Municipal, deverá requerer sessão extraordinária. Enquanto as filas continuam, Rita de Cássia Costa Belo acumula paciência.

Ontem, ela procurou o PS Central com gripe e sentindo dores no peito. Dias atrás, levou a filha no PAI ao lado do PS Central, mas acabou voltando para casa após esperar mais de quatro horas. “Cheguei às 16h e até as 20h não tinha sido atendida ainda. Fomos embora porque ela (filha) estava com fome”, conta.

Em tratamento de pneumonia, Francisca Correa chegou às 7h ontem no PS Central. Até as 10h30 ainda não tinha sido atendida. “Fui internada na sexta-feira, com pneumonia, e saí no sábado. O médico pediu para eu retornar hoje (ontem), mas está demorando muito”, afirma.

Já no PAI ao lado do PS Central e no do Bela Vista, não houve demora, segundo os pacientes entrevistados. “Em vista dos outros dias, hoje (ontem) está calmo”, diz Silvia Helena Silveira Alvarenga. Ela levou o filho de 3 anos, João Victor Alvarenga da Silva, com vômito e diarréia ao PAI ao lado do PS Central.

Elisângela Bodário também não reclamou do atendimento no PAI do Bela Vista. Ela levou a filha Mariana Bodário Costa para tomar vacina . “Fui bem atendida e não demorou”, diz.

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