Na década de 30 do século passado, foram disputadas as três primeiras Copas do Mundo, as quais tiveram como locais o Uruguai, Itália e a França. Neste último país aconteceu, em 1938, a magna competição futebolística em que o Brasil terminou em terceiro lugar, após ter sido eliminado pela Itália, na semi-final, por 2 a 1. Depois, ao derrotar a Suécia por 4 a 2 (perdia por 2 a 0), ficou naquela honrosa classificação, com Leônidas da Silva figurando como o artilheiro do máximo evento, ao assinalar 8 gols em quatro jogos.
Com a eclosão da II Grande Guerra, em 1939, a Copa do Mundo foi suspensa, voltando a acontecer somente em 1950, no Brasil, quando na “tragédia” do Maracanã o nosso selecionado perdeu para o Uruguai, por 2 a 1, deixando, assim, de conquistar o ambicionado título que estava praticamente ganho.
Mas, o curioso é que mesmo durante a Guerra, uma “Copa do Mundo” acabou sendo disputada, porém entre os soldados que integravam os exércitos aliados que combatiam o então poderio nazista que estava prestes a sucumbir.
Foi quando os comandantes das diferentes tropas militares que representavam diversos países resolveram, naqueles momentos em que já aconteciam as primeiras negociações em torno da paz, fato esse concretizado no dia 8 de maio de 1945, com a rendição da Alemanha, promover uma “Copa do Mundo” entre os componentes dos vários exécitos.
O 5º Exército Americano, que tinha sob o seu comando tropas de outros países, inclusive a Força Expedicionária Brasileira, formou uma seleção das mais fortes, pois contava com soldados vindos de nações em que o futebol era o principal esporte praticado.
Naquela oportunidade, integravam a Força Expedicionária Brasileira jovens militares bons de bola, inclusive alguns que, ao serem convocados, jogavam em times profissionais do Rio de Janeiro e de São Paulo. Foram os principais nomes do selecionado formado pelo 5º Exército Americano que contribuíram decisivamente pela conquista do título de “campeões mundiais” da II Grande Guerra. São eles: Bidon, que jogava no São Cristóvão do Rio de Janeiro, Perácio que defendia o Flamengo quando convocado, o inclusive foi o titular absoluto da meia-esquerda da seleção brasileira que disputou o Mundial de 1938, na França e, ainda, o ponta esquerda Walter, o qual antes de seguir para o Rio de Janeiro atuava no Corinthians. No então Distrito Federal, foi emprestado ao Botafogo, clube que jogava até seguir para a Itália como integrante da FEB. Não recordamos o nome, mas o goleiro reserva da seleção do 5º Exército também era brasileiro.
Vários foram os países que se fizeram representar nesse campeonato, a exemplo dos Estados Unidos, Inglaterra, Canadá, França, Índia e outros. Lembramos que essa disputa apenas veio a acontecer quando aquele conflito militar caminhava para o final. Sua realização não deixou de ser, na ocasião, um verdadeiro entretenimento para os soldados que tanto sofreram nos campos de batalha.
Desta maneira, até mesmo na II Grande Guerra o futebol brasileiro se fez representar condignamente, com quatro de seus pracinhas se destacando naquela competição, os quais no Brasil eram titulares absolutos nas equipes do São Cristóvão, Flamengo, Botafogo e Corinthians.