Brasília - Afastado da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) de São Paulo após os ataques atribuídos ao Primeiro Comando da Capital (PCC), Nagashi Furukawa depôs ontem na CPI do Tráfico de Armas e procurou dar um cunho político aos ataques em São Paulo.
Disse ter obtido informações do serviço secreto da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo de que as rebeliões e os ataques de maio atribuídos ao PCC tinham o objetivo de prejudicar a candidatura do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), seu ex-chefe, à Presidência da República. Relator da CPI, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) ironizou as declarações do ex-secretário.
“Dizer que se trata de rebelião com objetivo eleitoral é, no mínimo, debochar da sociedade brasileira". Nas mais de quatro horas em que respondeu as perguntas dos integrantes da CPI, Furukawa, que ocupava o cargo desde dezembro de 1999, voltou a rebater as acusações de que houve acordo entre o Estado de São Paulo e a facção criminosa para que os ataques tivessem fim.
Grampos
Furukawa também disse que “cortaria seu pescoço" caso for provado o envolvimento de um de seus principais assessores à época, Clayton Alfredo Nunes, em uma escuta telefônica descoberta recentemente na secretaria. Por conta da escuta, o coronel reformado da Polícia Militar (PM) Olinto Neto Bueno, ligado a Furukawa, foi demitido na semana passada da diretoria do Departamento de Inteligência da SAP.
O grampo em questão foi encontrado na linha utilizada pelo delegado Osvaldo Arcas, que fazia um espécie de ligação entre a SAP e a Secretaria de Segurança Pública.
Questionado ontem por parlamentares sobre o grampo, Furukawa repudiou o que chamou de “insinuações’’ de que Bueno ou Nunes estariam por trás da escuta. “Duvido que eles estejam por trás de uma indignidade dessas”, afirmou. Um inquérito para investigar o caso do grampo foi instaurado na 9ª DP (Carandiru). Furukawa disse à CPI que o delegado Arcas foi trazido à SAP por um pedido dele, e que sua vinda foi negociada diretamente por Clayton.
O ex-secretário também disse que a linha em questão era de Clayton até março. Ele insinuou que o grampo poderia já estar no telefone anteriormente, e portanto, teria a função de rastrear as conversas de seu ex-assessor, e não do delegado.
O deputado Raul Jungmann (PPS-PE), disse, entretanto, ter informações de que a indicação do delegado para trabalhar na SAP teria partido do Palácio do Morumbi com o objetivo de melhorar as relações das duas secretarias. Irritado, Furukawa negou. “Não é verdade. O delegado veio porque eu sugeri. Eu disse ao Lembo (Cláudio lembro, atual governador) para que ele viesse”. Furukawa admitiu, entretanto, que havia “dificuldades de entendimento” entre as secretarias.