Todos os dias, centenas de bauruenses arriscam as próprias vidas atravessando os trechos das rodovias que cruzam a área urbana da cidade. De acordo com o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), Bauru é cortada por quatro rodovias e dois acessos, totalizando cerca de 47 quilômetros de estradas na cidade. Neste mês já foram registradas cinco mortes nesses trechos. Com os acidentes, julho já está na segunda colocação entre os meses que mais tiveram mortos nas rodovias, neste ano. Revoltados com a falta de segurança, vizinhos das rodovias pedem redução da velocidade, iluminação dos trechos e mais passarelas.
Uma dessas cinco mortes foi contabilizada ontem. No início da tarde, o garoto Guilherme Ribeiro Pinal da Silva, 12 anos, morreu após ficar dois dias internado no Hospital Estadual. Ele ficou gravemente ferido no acidente ocorrido sábado. Seu pai, Valdir da Silva, 36 anos, morreu na hora. O caminhão de Silva bateu na traseira do veículo de Edson Gati, 52 anos, que transportava combustível. Houve uma explosão e o garoto foi retirado com as roupas em chamas. Segundo informações do hospital, Guilherme não resistiu aos ferimentos e morreu às 13h50.
Para tentar solucionar o problema, desde abril - quando uma criança de 6 anos morreu ao ser atropelada quando tentou atravessar a Marechal Rondon com a mãe –, o DER reduziu a velocidade máxima permitida de 110 quilômetros por hora para 80 Km/h no trecho urbano da pista. Porém, de acordo com o Policiamento Rodoviário, muitos motoristas não respeitam esse limite, mesmo com as inúmeras placas avisando tanto a velocidade máxima permitida quanto que o local é utilizado para a travessia de pedestres. “Às vezes, eles (motoristas) permanecem com a mesma velocidade que estavam antes de entrar na cidade”, observa o tenente Luiz Carlos Ferreira dos Santos.
Para garantir essa redução no trecho urbano, a partir de hoje um radar móvel estático estará operando e penalizando os motoristas que desrespeitarem o limite máximo permitido. De acordo com o DER, o radar poderá estar localizado, variando a cada dia, nos quilômetros 341, 343 e 347 no sentido oeste e nos quilômetros 343 e 342, sentido leste. Com as multas, espera-se que os motoristas obedeçam a determinação.
Ontem, quando o radar ainda não operava, em menos de duas horas a reportagem pôde constatar que muitos motoristas pareciam não ligar para as placas com o limite máximo permitida. Carros e caminhões passavam em alta velocidade, enquanto dezenas de pedestres aguardavam uma oportunidade para a perigosa corrida necessária para atravessar a rodovia. Pacientemente, Irene Zamaro de Freitas, 78 anos, esperava a chance de cruzar a Rondon de um dos lados da pista. De braços dados com a filha, Rosa Maria Pffanelli, 54 anos, ela conta que todos os dias repete o arriscado caminho. “Tem que dar uma corridinha”, conta Freitas.
Para o estudante André Cabral, 24 anos, conseguir transpor a Rondon é um desafio. “Chega a ser uma aventura. Eu sou bem cuidadoso, mas a molecada que atravessa a rodovia aos domingos para ir até o Serviço Social do Comércio (Sesc) é um perigo”, lembra. A servidora pública Ana Júlia de Souza, 48 anos, quase todos os dias precisa atravessar a rodovia Marechal Rondon. Para ela, até usar a passarela é arriscado. “Podemos ser assaltados nas passarelas. Para mim, iluminação e mais placas podem melhorar a segurança de quem atravessa”, sugere.
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Dentro da cidade
Bauru é cortada por cerca de 14 quilômetros da rodovia Marechal Rondon e 12 quilômetros da Comandante João Ribeiro de Barros, a Bauru-Jaú. A SP-310, que liga Bauru a Iacanga, também corta a cidade numa extensão de seis quilômetros e a Bauru-Marília, cerca de sete quilômetros. Além disso, ainda existem dois acesso a rodovias que cruzam boa parte de Bauru.
O primeiro é o SPA 228/225, acesso à rodovia João Ribeiro de Barros, que fica próximo ao Núcleo Otávio Rasi, e o SPA 254/294, ao lado da Vila Dutra, que leva até a Bauru-Marília. Somados, os trechos de rodovias com influência de área urbana - a parte da rodovia que recebe tráfego normal de carros da própria cidade – totalizam 47 quilômetros.