O nome do grupo é significativo: O Salto. Formado por ex-integrantes do LS Jack - com exceção do vocalista Marcus Menna (que está em recuperação depois de problemas decorrentes de uma lipoaspiração em 2004) e com a entrada de Fábio Allman, o Fabão, nos vocais - a banda acaba de produzir o primeiro CD “A noite é dos que não dormem”, lançado pela Indie Records, com músicas mais próximas das raízes do rock.
O direcionamento para o rock’n’roll já havia sido sentido no CD “Jardim das Cores”, último disco do LS Jack, lançado após o acidente de Menna, mas que ainda contava com a voz do cantor. “O CD foi lançado mas não houve divulgação por conta do episódio com o Menna. Foi um período de incertezas e muitas dificuldades. Mas achamos na música uma motivação para continuarmos”, conta o guitarrista Sérgio Morel, que compõe a banda com Sérgio Ferreira (guitarra), Vítor Queiróz (baixo), Bicudo (baterista) e Fabão (vocal).
Sobre o nome de Fabão nos vocais, Morel coloca que a escolha foi natural e certeira. “Nós já éramos fãs do Fabão há muito tempo e, além de admirá-lo musicalmente, ele é um grande amigo”, afirma.
Fabão é o responsável por trazer à banda a pegada mais hard, fruto de sua participação no Monobloco, que também seduziu a cantora Cássia Eller, com quem o cantor dividiu os vocais durante a gravação de “Veneno Vivo”, em 1998, e no show no Rock In Rio, em 2001.
Com a participação de Paulinho Moska na faixa blues “Nada Vai Mudar Isso” e do poeta Bernardo Vilhena na faixa título “A noite é dos que não dormem”, o CD traz 14 composições com repertório majoritariamente autoral e sentimental. “Não há uma temática específica. Algumas músicas falam da superação que tivemos que passar, outras de problemas sociais”, explica Morel.
Na música “Posso resolver sozinho”, o momento de indecisão da banda fica explícito na letra “Passei um tempo meio enrolado/Coisas do passado/Com um pouco mais de sacrifício posso resolver sozinho”. A melodia ganha o reforço de Alex Valey nos teclados.
Uma semelhança com o extinto Legião Urbana não é pura coincidência. “Muitas pessoas têm falado que nosso som é parecido com o do Legião. Indiretamente, eles nos influenciaram, e ser comparado com eles é uma honra”, admite o guitarrista, que nas apresentações da banda não deixa de tocar “Geração Coca-Cola”, de Renato Russo.
A produção do CD é dos próprios músicos e foi acompanhada de perto por Menna. “A vida dele está focada em sua recuperação, mas sempre mantemos contato. Inclusive, no show de pré-lançamento do disco em maio no Rio, ele foi e curtiu com a gente”, diz Morel.
O disco deve chegar às lojas ainda nesta semana. O Salto bem que tenta, mas a pegada pop rock do extinto LS Jack permanece na maioria das faixas. A exceção mais evidente é “Morro e Asfalto”, com um riff mais pesado e um rock mais enérgico.