O rio Buranhém, que separa Porto Seguro e Arraial D´Ajuda, serve também para os passeios durante a temporada. O escritório de receptivo comandando por Luís Becker oferece, entre outros roteiros, travessia por seu leito até se chegar aos manguezais que circundam a região e onde a fauna e a flora são ricas.
Durante mais ou menos três horas, navega-se por esse rio calmo, caudaloso, com as paisagens se modificando conforme o barco ou baleeira se distancia do porto de Arraial. No começo, avistam-se as praias, falésias, coqueirais da Costa do Descobrimento; depois, os povoados vão se sucedendo, com casinhas brancas, caiadas, que são puro encanto.
A sensação é que nelas há sempre uma rede preguiçosa para se deitar e algum quitute baiano, quentinho, nos esperando no puxadinho junto à cozinha...
Depois das casas, as margens são tomadas pela vegetação típica da mata atlântica, pelo mangue em seu estado puro e pelas aves e animais que procriam nesse meio: garças, pica-paus, aranhas, macacos e répteis.
Leve um repelente se for alérgico e protetor solar, pois mesmo em julho, quando a água é fria na Bahia, o sol é porreta.
Durante o passeio – combine preço e detalhes antes –, pode-se parar em alguma taperinha para o lanche. Em mesa de madeira, com toalhas de chita multicoloridas, são servidos sucos das frutas típicas do Nordeste, água-de-coco e sanduíches naturais. Enquanto o pessoal se reabastece para mais algumas horas de lancha ou baleeira, aproveite para mergulhar nas águas verdes cristalinas, sem qualquer poluição.
Becker brinca com os turistas dizendo que o rio é “nossa avenida Paulista” e aponta para “seu” Tancinho, que assim como ele, Michele e Samira, deu adeus ao ritmo louco e ancorou na região de Porto Seguro. Não quer nem lembrar de conforto, carro, luz elétrica. Sua cabana não tem luz elétrica e os únicos sons que ouve são da lancha de visitantes e do cântico das aves.
No espaço sem luz elétrica, Tancinho conta histórias e oferece carne-de-sol, guaiamum – o caranguejo do mangue - e galinha caipira, tudo fresquinho, já que não há geladeira para se conservar os alimentos.