Rural

SP é referência nacional

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 2 min

O Estado de São Paulo é o maior pólo de criação de cavalo quarto de milha do País. Conforme dados da Associação Brasileira dos Criadores de Cavalo Quarto de Milha (ABQM), estão no Estado 162.517 cabeças da raça, o que representa 55% do rebanho nacional, hoje calculado em 306.545 animais. A participação de Bauru e região no Estado é expressiva. Os municípios confinam 3.977 cabeças, o equivalente a 2,5% do total de animais criados nos pastos e propriedades paulistas.

O número de proprietários de cavalos quarto de milha também é considerável em São Paulo. Ao todo são 21.264, o correspondente a 46,5% do total registrado no País: 45.681. Na região de Bauru estão 630 proprietários, 3% do Estado.

“A qualidade da terra e do pasto é melhor no Estado de São Paulo, assim como os maiores haras estão aqui. Sem contar que, economicamente, São Paulo é a locomotiva do País. Portanto, tudo isso favorece sua posição de destaque na criação do quarto de milha”, avalia o diretor de marketing da ABQM, Abdalla Abib.

Ele acredita que as estatísticas devem sensibilizar o governo a investir mais no setor, já que o País é o terceiro criador mundial da raça. “É um novo nicho de investimento. O próprio mercado vai fazer com que o governo tenha uma reação mais atuante”, analisa Abib.

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Dificuldades

Embora os números mostrem uma condição favorável à criação de cavalos no Brasil, ainda existem muitos empecilhos que dificultam um maior desenvolvimento da prática no País.

Os criadores reclamam que nem sempre conseguem obter um retorno sobre o investimento, especialmente em razão da carga tributária elevada e do alto custo da manutenção dos animais.

“O custo dos insumos agrícolas e do acompanhamento veterinário, que são extremamente necessários, é alto demais. Se fosse menor, a oportunidade de investimento, de comprar mais, seria bem maior”, ressalta o diretor de marketing da ABQM, Abdalla Abib.

Para o leiloeiro Nilson Genovesi, faltam políticas públicas de apoio à eqüinocultura no País. Ele entende que o governo dificulta o aprimoramento da criação com a cobrança excessiva de taxas. “Os criadores deveriam ficar isentos de qualquer taxa interna, como o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), ou ter tarifa de valor simbólico.”

Genovesi defende que o valor dos impostos deveria ser proporcional ao custo da criação. Além disso, destaca a criação de um pacote de medidas que vise aprimorar os cuidados sanitários do rebanho eqüino brasileiro para que os animais ganhem ainda mais espaço no Exterior.

“O cavalo de corrida ganha um prêmio e o dono do animal é obrigado a pagar Imposto de Renda sobre esse prêmio. Ninguém quer saber o quanto custou para obter esse prêmio”, reclama.

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