Bairros

Cidade não está preparada para idosos, diz pesquisadora

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

Bauru possui hoje uma população idosa de mais de 37 mil pessoas, segundo estimativas da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade). O número é grande e crescerá ainda mais, podendo chegar a 44.061 em 2010.

A mudança da realidade populacional cria demandas em áreas diversas como saúde, assistência social, lazer, entre outras. Para a pesquisadora da Universidade do Sagrado Coração (USC) Polyana Moura, uma das autoras de um dossiê sobre a saúde do idoso em Bauru (encerrado no ano passado), a cidade não está preparada para receber esse contigente de idosos.

“O crescimento da população acima dos 60 anos tem sido muito acelerado e não houve tempo dos serviços públicos adaptarem-se à nova realidade”, acredita.

De acordo com Moura, nos países europeus, que possuem uma proporção de idosos maior que a do Brasil, o processo de envelhecimento da população ocorreu de maneira mais lenta. “Foi algo que demorou um século para ocorrer, enquanto aqui o fenômeno tem pouco mais de 20 anos”, salienta.

Para a pesquisadora, o grande problema da maneira como os idosos são tratados no País é a falta de integração dos projetos. “Na saúde, por exemplo, muitos acreditam que o trabalho limita-se ao ato de curar doenças, quando o correto seria pensar-se num conjunto de ações que afetasse de maneira positiva a qualidade de vida das pessoas com mais de sessenta anos”, afirma.

Na visão de Moura, o problema da saúde do idoso é, acima de tudo, educacional. “Antes de combater doenças, seria preciso desenvolver um trabalho de conscientização das pessoas sobre como adquirir um modo de vida saudável”, coloca.

A pesquisadora defende ainda mudanças na maneira como a sociedade encara os idosos. “Temos de superar essa visão economicista que aqui impera. A pessoas não podem ser vistas apenas a partir do retorno financeiro que possam proporcionar. Esse pensamento é que tem levado os idosos à situação de marginalização na qual se encontram atualmente”, pondera.

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