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Nós, a política e os políticos


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Invariável e infelizmente, para a quase totalidade da população, a política aparece associada a duas vertentes: na primeira, como uma atividade menor e, portanto, relegada e, na segunda, como uma parceira assistencialista. A política se constitui na ligação a mostrar o que dizer e o que fazer em parceria com a sociedade, por tudo o que dela é retirado na forma de tributos. A política deve se articular sinergicamente junto às várias correntes de pensamento já que o Brasil é lócus que apresenta um grande desafio administrativo pelo porte, diversidade e complexidade dos seus problemas. A política permite confrontar pontos de vista e arquitetar soluções. Permite o embate saudável de opiniões, mas não pode se tornar conivente com a paralisia e a inércia decorrentes de antagonismos alimentados pelo simples gosto da contradição. Tem-se como garantia o amor pelo Brasil, que a todos une. Por maiores que sejam as divergências, estamos conectados pelo mesmo sentimento de respeito ao País onde trabalhamos e ao qual, certamente, estaremos vinculados para sempre.

Parafraseando Mário de Andrade, pode-se disser que o político não é um só, ele é dinâmico. Está inserido num processo dinâmico e é por isso que não podemos dividir os políticos entre aqueles que dizem “sim” e aqueles que dizem “não”. O “sim” e o “não” devem se alternar dinamicamente no discurso inovador; isto é saudável e políticos saudáveis constroem um País saudável o que ajuda a construir um mundo saudável. Três referências devem balizar sempre o trabalho de um político: a consolidação de valores, a conquista de resultados e jamais subordinar objetivos administrativos a proveitos de natureza pessoal. Nossa sociedade é tão heterogênea, com uma distribuição de renda tão perversa e, estando entre mansões e casebres, trás uma infinidade de demandas: da genômica à goiabada. Entre estes dois extremos, a política precisa ter relevância social, ser pertinente e contribuir para gerar eqüidade. Assim, essa contribuição deve estar centrada nos seguintes eixos: Primeiro, na elaboração de projetos factíveis que não se limitem a apenas atenuar as conseqüências da exclusão social. Segundo, capitalizar competência no desenvolvimento de soluções complexas para problemas complexos já que não há soluções simples para problemas sociais complexos. O terceiro tipo de contribuição diferenciada da política está na formulação, implementação e disseminação de modelos inovadores de inclusão e coesão social. Os políticos precisam cuidar, também, para que a vingança, o rancor e a injustiça, que sempre rondam as instâncias de comando, não prosperem ao seu redor. Não se pode esquecer que para uma boa convivência é preciso entender e eliminar as perturbações que nascem da não aceitação das coisas e dos fatos, que nascem da diferença entre o que somos e aquilo que gostaríamos de ser. Não se pode esquecer que uma proposta submetida à votação é, sempre, um ato de coragem e, ao mesmo tempo, um ato de submissão. Por conta disto, a aproximação com seus pares é instrumento e não fim no processo administrativo. É preciso não passar do ponto. Errará quem deixar de usá-la no exercício do poder, porém mais ainda errará, quem a eleger como prioridade, acima da busca de resultados e da difusão de valores. Já foi dito que a utopia é o espaço do desejo. Penso que se deva preservar este espaço, pois é da conjugação de muitos desejos que se produz o real. Mas, por maior que sejam os sonhos, tem-se que manter o senso de viabilidade. A escassez de recursos, embora não seja limite absoluto, é limite relativo, que deve ser considerado quando se trata de administrar um orçamento gerado pela contribuição da sociedade. Para um Brasil mais igualitário, fica a expectativa de que a atividade política seja reconhecida, valorizada e, principalmente, avaliada.

O autor, Paulo Cezar Razuk, é professor titular do Departamento de Engenharia Mecânica da Unesp-Bauru

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