“O produtor rural precisa de uma definição de políticas mais permanentes para a agricultura”, afirma Alberto Macedo, secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, referindo-se à instabilidade que o setor vive atualmente no País.
Para ele, o Brasil carece de regras que permitam ao empresário do campo programar com tempo o que vai produzir e comercializar. “O agricultor não pode ficar sujeito às regras monetárias, aos programas de financiamento, às flutuações do dólar. Não há condições para isso”, completa. Macedo, que esteve ontem em Bauru para assinar a renovação do convênio do Sistema Agroindustrial Integrado (SAI) na região, defende medidas que priorizem preços mínimos e plantio estratégico para a agricultura. Ele acredita que atitudes como essas poderiam contribuir para que os produtores agrícolas pudessem enfrentar com menos prejuízos a nova realidade da agricultura no Brasil.
O secretário diz que por conta do problema não ser pontual, é difícil modificar políticas que dizem respeito ao Brasil como um todo. “O que a gente pode fazer é, subsidiariamente, elencar determinadas ações, visando nosso produto paulista. Agora, a política maior, a política do País, tem de ser implementada pelo governo federal”, justifica.
Sobre o pacote lançado pelo governo federal, de R$ 75 bilhões para serem empregados no setor, Macedo avalia a medida como necessária para o momento, mas não acredita que seja a solução para a agricultura no Brasil. Na opinião dele, o plano apenas adia a busca por soluções dos problemas. “Se não tivessem essas medidas, muita gente iria quebrar. Elas mantêm o pessoal vivo, em atividade, mas empurram a crise para o ano que vem”, destaca.
Macedo ainda ressalta que no Estado de São Paulo os principais fatores que prejudicam o desempenho da agricultura são as dificuldades de liberação de crédito, os juros altos e a conversão de valores no momento de compra e venda de produtos e mercadorias.
De acordo com a secretária de Agricultura de Bauru, Maria Eugênia Gracia, dos 600 produtores que existem no município, pelo menos 400 são pequenos agricultores. As principais dificuldades, segundo ela, que têm emperrado o setor são a obtenção de crédito rural, assistência técnica e a comercialização.
“O que atrapalha muito para a aquisição de crédito é a garantia que os bancos exigem. Agora, na questão de assistência técnica, tivemos um salto grande, assim como no comércio da produção. O objetivo é melhorar mais”, diz a secretária.
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Convênio
Alberto Macedo, secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, esteve ontem em Bauru, onde assinou a renovação do convênio para o desenvolvimento da 4.ª etapa do Sistema Agroindustrial Integrado (SAI) na região, no valor de R$ 831,9 mil.
O objetivo do programa é melhorar as condições do pequeno produtor rural, aumentando a renda familiar e gerando empregos.
“Dessa forma, é necessário darmos qualidade aos pequenos produtores, levando-os, conseqüentemente, ao patamar de competitividade dentro da moderna agricultura”, diz Macedo, que informou que 70% dos agricultores do Estado de São Paulo são pequenos produtores.
Para a secretária de Agricultura de Bauru, Maria Eugênia Gracia, o convênio é um subsídio para o desenvolvimento do setor no município. “Esse trabalho vem como complemento do trabalho que a secretaria desenvolve. Seria dificultoso para a gente se o município tivesse de assumir tudo sozinho”, avalia.