Cultura

Muse faz protesto cósmico em novo CD

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

A Warner Music brasileira se prepara para lançar por aqui “Black Holes and Revelations”, quarto álbum da banda inglesa Muse, em razão das boas críticas recebidas na Europa e - mais importante, para eles - a boa aceitação do disco nos Estados Unidos, mercado difícil para o britrock e para grupos de canções de discurso e melodia grandiloqüentes.

Matt Bellamy (vocal e guitarra), Chris Wolstenhome (baixo) e Dominic Howard (bateria) são músicos de clara influência do rock progressivo que fazem música pop. Constantemente comparados ao Radiohead - especialmente pelo vocal -, o Muse parece ter projetado o novo disco para sepultar quaisquer semelhanças e, dessa forma, ganhar o selo de aprovação com seu próprio “OK Computer”, em uma mistura temperada com Queen, U2, soul music e mais eletrônica. Em resumo, eles deixaram de ser chatos.

Sem dúvida, “Black Holes” é o melhor conjunto de, músicas já lançadas pelo trio desde “Showbiz”, de 1999. Ao que parece, o Muse está tão preocupado com o meio ambiente quanto o futuro da humanidade e a proximidade do apocalipse e usa as canções para fazer seu protesto. Seguindo ainda a linha do último CD, “Absolution”, que tinha canções como “Apocalypse Please” e “Time is Running Out”, a primeira faixa do novo disco começa com Bellamy exclamando “Você vai queimar no inferno por seus pecados/ Você deve pagar por seus crimes contra a Terra”, no electro-rock cheio de sintetizadores “Take a Bow”.

De qualquer forma, é a primeira vez em sua trajetória que o Muse deixa aparecer traços mais positivos nas letras. Em “Assassin”, o grupo clama o ouvinte a derrubar seus líderes, reunir as forças e acabar com a “demonocracia”, enquanto a balada espacial “Invincible” pede para os sonhos sejam transformados em realidade e que não se desista da luta, pois todos ficarão bem. Com balanço meio latino, “City of Delusion” também segue pelo discurso vigoroso e congregador: “Construa uma fortaleza e defenda seus ideais/ Toque o divino enquanto ficamos em fila/ Posso crer quando não acredito/ que suas teorias cairão por terra”.

O primeiro single, “Supermassive Black Hole”, foi definido pela revista “Rolling Stone” como um soul-disco-metal em falsete, como se “Closer” do Nine Inch Nails tivesse sido remixada pelo Scissor Sisters. É a mais heterogênea das 11 faixas, porém mostra como o Muse está ciente de que suas experimentações pop funcionam em âmbitos diversos, seja para fazer chorar, com as letras apocalípticas, ou para chacoalhar pistas de dança em clubes moderninhos, onde qualquer excesso é bem-vindo.

“Starlight” é uma balada intergalática que não abre precedentes para outra comparação que não algo que Bono & cia. gostariam de fazer. “Map of the Problematic” é quase uma trilha-sonora para um filme de ficção científica, com solo de guitarra quase “laser”. E o disco se encerra com “Knights of Cydonia”, que só não é um plágio glorioso do Queen porque não há Fred Mercury nos vocais.

“Black Holes and Revelations”, com o perdão do trocadilho, é um álbum que se revela a cada audição e que permite ser degustado mais e mais, com momentos de encantamento e de curiosidade para cada referência cósmico-musical utilizada pelo trio.

Mais informações sobre o Muse em sua página no My-Space (www.myspace.com/muse). Há músicas novas disponíveis.

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