O risco de morrer atropelado em Bauru já foi maior. No ano passado, a taxa de mortalidade por atropelamento fechou em 2,91 para cada 100 mil habitantes, o equivale a dez mortes. Os índices são bem menores que os registrados no Estado e no País em 2005 - 5,1 e 5,6 respectivamente. O levantamento é da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), que se baseia em documentos de óbitos arquivados em Cartórios de Registro Civil.
O pior índice da cidade foi registrado em 1999, quando a taxa de mortalidade chegou a 8,08 (ocorreram 25 mortes) para cada grupo de 100 mil habitantes. Os números referem-se a acidentes de trânsito ocorridos na cidade e também nas rodovias que cruzam Bauru.
Entre 1996 e 1998, caiu o índice de mortes por atropelamento em Bauru. Em 96, a taxa foi de 5,51 (16 mortes). No ano seguinte, quando foi lançado o Código de Trânsito Brasileiro, houve um tímido decréscimo de 5,06 (15 mortes), que chegou, em 1998, a 4,95 (15 óbitos).
O pico ocorreu em 99, quando 25 pessoas perderam a vida em decorrência de atropelamentos. Em 2000 esses números baixaram significativamente para 3,17 (10 óbitos). Mas foi 2001 o ano em que a taxa de mortalidade por atropelamento esteve mais baixa em Bauru. Fechou em 0,93 (3 óbitos) para cada 100 mil habitantes. Em 2002 as estatísticas voltaram a subir com o registro de cinco mortes por atropelamentos - a taxa foi de 1,53.
Uma das vítimas foi uma mulher de mais de 70 anos, que morreu após ser atropelada por uma moto quando tentava atravessar a avenida Nações Unidas, na altura da quadra 17, próximo à Base de Trânsito. Três meses depois, foi instalado no local um semáforo de botoeira, o qual pode ser acionado pelo pedestre a fim de parar o trânsito de veículos a qualquer momento.
“Os acidentes naquela região eram freqüentes. Depois que o aparelho foi colocado no local, o índice de severidade no trânsito daquele trecho baixou significativamente”, diz o gerente de planejamento e operações viárias da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), Aníbal dos Santos Ramalho.
O pico de mortes por atropelamentos foi registrado em 2002, quando 33 pessoas perderam suas vidas em decorrência de acidentes de veículos, sendo 14 por atropelamento.
“Melhorou muito a segurança nessa parte da avenida. Antes do semáforo, era praticamente impossível atravessar. Quem tentava, arriscava a vida, como aconteceu com dona Rosa, que acabou morrendo pela falta de respeito de um motoqueiro imprudente”, comenta o dentista Tito Pereira, que era vizinho da vítima.
Luta
Na época, ele liderou o Movimento Rosa Guerreiro em prol da instalação do sinaleiro na quadra onde a amiga perdeu a vida. “Recolhemos assinaturas nas ruas, bares, supermercados e no próprio trânsito. Conseguimos mobilizar as autoridades e o resultado veio em dezembro de 2002”, acrescenta Pereira.
Em 2003, as mortes por atropelamento continuaram aumentando. O ano fechou com 15 óbitos e uma taxa de 3,61. Em 2004 houve uma retração para 2,07 (7 mortes) e no ano passado um aumento para 2,91 (10 mortes).
Os números diferem das estatísticas da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), que levou em consideração as mortes causadas por acidentes automobilísticos - entre eles atropelamentos - que ocorreram dentro da área urbana, mas não inclui os ocorridos nas rodovias que cortam a cidade.
Segundo a Emdurb, de janeiro até ontem, 15 pessoas morreram no trânsito de Bauru neste ano. Sete foram atropeladas.
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Mais recursos
O engenheiro de trânsito Archimedes Raia Júnior cobra mais esforços do Poder Público na contenção dos acidentes automobilísticos em Bauru. Ele considera pequeno o número de recursos disponibilizados nos últimos anos para controlar a imprudência dos motoristas.
“A maior causa dos acidentes no trânsito é a alta velocidade dos veículos. Em Bauru, não há semáforos, radares e outros aparelhos do tipo suficientes para garantir a segurança das pessoas. A população está muito desassistida nessa área”, acrescenta.
Para o engenheiro, avenidas como a Nações Unidas, por exemplo, deveria ter mais semáforos e outros tipos de dispositivos que auxiliassem a travessia de pedestres, principalmente idosos e crianças, de uma quadra a outra. “Falta mais atenção para o problema do trânsito de Bauru. Não se pode esperar acontecer para fazer. É preciso medidas mais eficazes, que garantam a segurança das pessoas”.