O candidato paulista ao Senado pelo PFL, na coligação que tem os tucanos como cabeça de chapa, Guilherme Afif Domingos, comentou ontem, em visita a Bauru, que acredita estar ocorrendo a politização do crime organizado no País, citando abertamente que haveriam indícios de ligação entre ações de grupos ou facções ligadas a setores do crime, inclusive fora do País, e o Partido dos Trabalhadores (PT) ou membros do poder.
Para Afif, enquanto alguns candidatos tentam se apropriar do tema segurança pública apenas em função da crise vivida em alguns Estados, sobretudo em São Paulo, o que está ocorrendo, na prática, em sua visão, é a politização do crime organizado. “Este é o xis da questão. Em época de eleição eles até seqüestram um repórter. Então, estamos eleitorarizando o crime organizado, ou o crime organizado está sendo politizado por um braço do poder? Esta é a questão”, disse em campanha, ontem de manhã, no Calçadão, acompanhado dos candidatos a deputado federal pelo PFL, Dudu Ranieri, e a estadual, Ricardo Oliveira.
O candidato pefelista provoca ainda mais a suposta relação entre governo federal e grupos criminosos, ao repercutir a acusação do secretário de Segurança Pública de São Paulo, Saulo de Castro Abreu Filho, de que o PCC teria relações com os petistas, ou um de seus segmentos com braço no sindicalismo. “É só os que ignoram o Fórum São Paulo para achar que não há nenhuma ligação. O Fórum São Paulo é uma instituição que uniu Fidel Castro, Hugo Chavez, as Farc (grupo armado que enfrenta o governo na Colômbia), Movimento Sem Terra (MST) e PT e foi presidida pelo Lula nos anos 90. Portanto, não há coincidência nenhuma”, respondeu.
Indagado qual a relação que o candidato faz entre a formação deste grupo e as ações do crime organizado, neste momento, Afif falou que basta olhar para a reação do governo federal. “É só nós olharmos para a complacência do poder com o tráfico de armas na fronteira, a complacência do poder com o tráfico de drogas na fronteira, a complacência do poder com a guerrilha e o narcotráfico andando juntas e treinadas como brigadas, tanto na Bolívia quanto na Colômbia, e agora armadas pela Venezuela. É só olhar essas coincidências e ver o amor entre o Lula, Fidel Castro e Chavez”, reforçou referindo aos presidentes do Brasil, Cuba e Venezuela.
Para o pefelista, as recentes operações da Polícia Federal em diferentes regiões do País neste período também contam com influência política. “Acho que é uma forma do governo fazer uma pirotecnia para tentar esconder a quadrilha que foi pega no poder assaltando pra armar os braços do crime “, criticou o candidato.
Afif concorre diretamente com o senador petista Luiz Eduardo Suplicy à única vaga, das três ocupadas por cada Estado, que será preenchida em Brasília (DF) com a eleição deste ano. Sobre seu principal adversário na disputa, ele destaca que Suplicy já cumpriu sua tarefa em Brasília (DF). “Ele está lá há 16 anos e é um homem decente, mas veja seu trabalho, não há muito o que falar. Ele e o governo viraram as costas para São Paulo não só nos problemas de segurança pública, mas na defesa dos interesses dos paulistas, que contribuem com mais de 40% da riqueza nacional e não recebem de volta sua cota, a participação que merece. Ele cumpriu seu papel, mas é lento, e eu vou lutar todo dia por São Paulo”, emendou Afif.