Bertrand Roussel dizia que as grandes decisões políticas são tomadas mais com o coração do que com a razão. Tivemos a prova disso numa das prévias do PMDB para a escolha do candidato a prefeito. Os ânimos estavam exaltados, perdurando um inexplicável sentimento de animosidade entre os deputados Tidei e Purini, a ponto de cada um estar na extremidade oposta de uma comprida mesa. Aos poucos, o clima foi esquentando a ponto de, em determinado instante, um deles esmurrar a mesa e dizer:
- Se é por isso, então eu sou candidato. E o outro, não deixando por menos:
- Então eu também sou! Qual o problema?
O representante da Imprensa saiu apressado e a manchete no dia seguinte foi: Tidei e Purini são candidatos. É claro que depois a poeira baixou e o partido acabou saindo com um candidato único. Todavia, a observação mais curiosa veio quando fomos “restaurar” as forças no chope do G Petisco, depois da reunião. Em meio a um mar de lamentações pelo erro crasso cometido, um militante diz, de repente:
- Calma pessoal! Mais cedo ou mais tarde a coisa se resolve. O pior é a coitada da mesa que levou pancada sem motivo...
Rui Bertoti