Brasília - Em nota oficial sobre as recentes ações do crime organizado no País, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) culpou a superlotação de presídios e a mentalidade repressora das polícias pelas sucessivas crises de violência. Em entrevista anteontem em Brasília, o presidente da entidade, cardeal Geraldo Majella, foi evasivo sobre a ação do Primeiro Comando da Capital (PCC) em São Paulo e preferiu abordar o que considera as “causas” sociais desse problema, como a pobreza e a falta de educação.
A nota da CNBB não menciona o PCC e não aborda questões como o tráfico de drogas, táticas terroristas ou o uso de celulares em presídios. Tampouco aborda o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). Apesar disso, aponta para uma solução baseada na superação da cultura de impunidade, solução para a superlotação de presídios e na reforma dos órgãos de segurança.
Ao explicar esses pontos, a CNBB aponta que é a impunidade que “produz revolta e injustiça”, que a situação das cadeias “atenta contra os direitos humanos e é fonte de crises recorrentes”, e que a mentalidade dos órgãos de segurança é “geradora de violências”. “Não é só questão de ver se temos prisões, se são suficientes ou se são desumanas. É preciso ver quais são as causas que são da responsabilidade da comunidade em geral”, disse dom Geraldo Majella.
Segundo a CNBB, uma das raízes do crime organizado é a “relação promíscua entre público e privado e as redes de corrupção em vários níveis”. Além disso, afirmam que a marginalização social tornam os pobres presas fáceis do crime organizado. A CNBB pede ao Estado que sejam protegidos “todos os direitos inerentes à dignidade humana”, inclusive a assistência judiciária.
Para dom Geraldo Majella, o uso de forças do Exército para combater o crime é uma opção subsidiária, a ser utilizada se a primeira instâncias, as polícias, falharem.