No final dos anos 70, início dos anos 80, a república onde morava o Marcelo Borges, na rua Ezequiel Ramos esquina com Gustavo Maciel, era o grande “point” dos estudantes alinhados “à esquerda” e local onde eram realizadas tanto reuniões políticas como festas. Durante o carnaval de 1980, resolvemos fazer uma sardinhada no local. Bauruenses que estudavam fora, como a saudosa Nara Bueno de Camargo, ou que estavam adentrando ao mercado de trabalho, como a amiga Kitty Ballieiro, se fizeram presentes nesta memorável festança. Ocorre que limpamos as sardinhas no tanque da área de serviço e esquecemos de colocar suas barrigadas e escamas no lixo. Depois da festa, o amigo Marcelo desapareceu da cidade por vários dias, tendo retornado somente para o início das aulas, acabando por passar em minha casa, na época na Vila Falcão, onde ficou a conversar comigo e com minha mãe. Perguntei:
- Sumiu esses dias, ô Marcelo?
- Humm, resmungou, com um sorriso irônico.
- O que foi?
- Dona Alzira... fizemos uma sardinhada lá na república... seu filho limpou as sardinhas e deixou a barrigada lá no tanque... acordei no dia seguinte... tava aquele cheiro de peixe estragado... a república toda suja e fedendo peixe...
Começamos a rir, e Marcelo continuou:
- Resolvi descer e tomar um café no português... na hora que abri a porta... tinha gato até de Botucatu... miando desesperado e querendo entrar... voltei, peguei minha mochila e fui embora para Rio Preto...
E Marcelo finalizou:
- ...tinha esqueletinho de sardinha para todo o canto... em baixo das camas... em cima do sofá...
Contada por Antonio Pedroso Júnior