Política

Candidato drag rejeita caricatura e quer ser defensor das minorias

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

“Drag queen é, na definição real, um palhaço de luxo, que pinta a cara para animar platéias. Não dá para eleger mais um palhaço, eu quero ser deputado das causas da educação infantil, saúde preventiva e cultura das minorias”. Com esta definição o transformista e artista televisivo Léo Áquilla, que tem programa na Rede TV, se apresenta para tentar conquistar votos que o levem a uma das 94 cadeiras da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo.

Candidato pelo partido nanico PSC, ele acredita que a caricatura em torno de seu personagem na televisão, onde interpreta uma drag queen, pode ajudar – pela exposição natural nas ruas - a transformá-lo em um fenômeno de votos parecido com o que aconteceu com o deputado Éneas Carneiro, do Prona.

Porém, o defensor assumido das causas do segmento GLBTS (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Transexuais e Simpatizantes), defende que seu papel de “animar o público” deve ficar restrito à suas apresentações em casas de shows, sem esconder, por outro lado, que essas representações minoritárias na sociedade formam seu principal alvo na busca de votos para a Assembléia.

“Não estou preocupado com a expressão de meu partido, porque temos bons candidatos e eu trabalho até para que eu consiga votos suficientes para se eleger e ainda ajudar o partido a eleger outros deputados comigo”, diz Áquilla.

Indagado sobre sua opção pelo Partido Social Cristão (PSC), o candidato comentou que a escolha foi porque o “pessoal me recebeu muito bem”. Para ele, o significado da sigla partidária não interfere em sua participação política. “O PSC tem o nome de cristão mas isso não significa que só tenha filiado de uma religião e que isso seja sua única causa. No nosso país não se vota em partidos, mas mais em pessoas. O importante é a causa que eu quero defender. Essa história que gay não vota em gay também é mito e eu vou me eleger até para quebrar essa história”, aposta.

Em visita a Bauru, ontem, Léo Áquilla programou campanha no Calçadão sem estar caracterizado como transformista, o que dificulta a identificação do eleitor com sua imagem na TV. Mas não é o que acontece em encontros específicos com grupos GLBTS. Ontem, por exemplo, Léo entraria em cena durante evento em casa noturna para comemorar seu aniversário de 36 anos, completados hoje.

“Quando as pessoas me identificam com o personagem Léo Áquilla, vêm abraçar e apoiam. Não sinto restrição ou preconceito. Eu sou candidato do grupo que é minoria. Alguém precisa ter voz nesse segmento. Não é possível continuar elegendo palhaços para deputado”, completa Áquilla.

Em campanha pelo Interior do Estado, o transformista diz que, mesmo sendo eleito, reassume seu papel artístico em dois de outubro, na segunda-feira seguinte ao fechamento das urnas.

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