Economia & Negócios

Conversa sobre finanças evita crise familiar

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

Uma simples conversa. Este é o segredo para manter as finanças da família em dia. De acordo com a economista Janaine Lopes Pimentel, os casais não conversam sobre o quanto ganham nem onde gastam a renda e, por isso, muitos acabam se desentendendo. A saída, aponta a economista, é envolver toda a família, inclusive as crianças, em uma conversa periódica sobre todos os rendimentos e pagamentos mensais.

“As pessoas, em geral, não falam sobre dinheiro. Ninguém sabe o quanto o outro gasta e a família não tem objetivos coletivos”, avalia a especialista. Quando a família passa a conversar sobre finanças, a expor os problemas e a buscar soluções em conjunto, o relacionamento em casa melhora. “Porque ajuda a recuperar o diálogo, que está tão esquecido em muitas famílias”, observa.

De acordo com a economista, grande parte de separações conjugais teve início em crises financeiras. “Como os casais não conversam, ninguém sabe onde o outro está gastando o dinheiro. Fica um ponto obscuro”, diz.

O primeiro problema de um casal que não conversa sobre finanças, aponta a economista, é não saber exatamente quanto cada um ganha. “Às vezes, eles contam o salário bruto e se esquecem de deduzir, por exemplo, o Imposto de Renda e outros descontos”, observa a economista. Depois de estabelecer a renda real da família, o segundo passo é calcular o gasto verdadeiro.

“Todos calculam as contas de água, força, aluguel, mensalidade escolar. Mas a gasolina, o dinheiro gasto na padaria, o cinema e o barzinho também devem ser calculados”, orienta. Essa é a parte mais complicada.

O casal precisa adotar a disciplina de anotar cada um dos gastos para identificar para onde está indo o dinheiro da família. “Se deixar para anotar depois, acaba esquecendo. A minha dica é manter na carteira um papel, onde imediatamente a pessoa possa escrever o quanto gastou”, aconselha.

Assim que as finanças estiverem equilibradas, a dica da economista é destinar um valor mensal para uma aplicação financeira. “Deve fazer parte das obrigações mensais de uma família. Acredito que uma família deva dedicar, pelo menos, de 10% a 15% de sua renda mensal para um fundo de emergência”, calcula.

Outro ponto que a família precisa saber é a diferença entre investimento e despesa. Em momentos de crise, algumas chegam a cortar a escola particular dos filhos ou abandonar a faculdade. Para a economista, isso é errado. Educação é investimento. “Será que não vale a pena vender o carro e manter a faculdade?”, questiona. Para Pimentel, a separação do que é gasto dos investimentos é fundamental. “O carro é conforto, mas ele gera gastos com gasolina, manutenção e pode trazer um desequilíbrio financeiro grande”, observa a economista.

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