Tribuna do Leitor

Vão pagar por bem ou por mal


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A atitude nefasta do governo norte-americano em se recusar a assinar o Protocolo de Kyoto acabou produzindo algumas consequências positivas. Na Europa, por exemplo, a recusa de Bush e seus antecessores ao protocolo sacudiu mais ainda as discussões sobre o aquecimento global e a necessidade de minimizar seus já desastrosos efeitos. Os europeus adotaram uma nova política quanto ao assunto e levaram à frente as disposições do documento, mesmo sem o apoio dos norte-americanos.

Os países emergentes da Ásia, capitaneados pela extrema massa de manobra do poderio econômico chinês, também estão cientes de que o mundo não pode mais esperar para começar a desenvolver ações efetivas visando à diminuição de emissão de gases. Segundo o Worldwatch Institute, as catástrofes naturais provocadas pelo descontrole da natureza diante do aumento da temperatura, só na última década, causaram um prejuízo econômico de 608 bilhões de dólares. Esse dado é trágico e fundamental para o futuro do planeta. Ironicamente, é bem possível que os países comecem a aderir em massa às ações de conservação ambiental, não pela consciência ecológica, mas sim porque a devastação está atingindo o bolso (no caso, os cofres) das nações muito profundamente.

Os 180 países que assinaram o documento têm, em princípio, muito ônus financeiro para adaptar sua realidade cotidiana e produtiva aos padrões de manutenção contidos no protocolo. Os Estados Unidos não assinaram porque são responsáveis por quase um quarto da emissão global de dióxido de carbono e, desde 1990, ano base do protocolo, contribuíram com um aumento de 13%, enquanto a Europa teve um aumento de apenas 1%.

A estupidez do dirigente americano é paradoxal: ao se opor raivosamente ao protocolo (seu antecessor fazia uma oposição mais sonolenta) e desistir das alternativas de redução, Bush está levando seu povo a mergulhar no caminho único e atrasado dos combustíveis fósseis. Os países que derem o pontapé inicial para o desenvolvimento de novos combustíveis não poluentes sairão na frente na moderna corrida energética global.

Bush diz ser contrário ao documento porque a adoção de suas preposições estaria condenando os Estados Unidos a gastos extremados e a uma crise econômica. O furação Katrina, que destruiu recentemente a cidade de Nova Orleans, mostrou que, de uma forma ou de outra, os americanos terão que pagar a conta.

Luís Paulo C. Domingues

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