A senadora e candidata a presidente da República pelo PSOL, Heloísa Helena, afirmou anteontem, em sabatina da Agenda Brasil, promovida pela Associação Paulista dos Jornais (APJ), em São Paulo, que a carga tributária pode cair do patamar atual de cerca de 38% do Produto Interno Bruto (PIB) para algo próximo de 22%, meta ambiciosa que não é vista com exagero pela candidata que prega o distanciamento do Brasil em relação ao capital especulativo e a lógica capitalista.
Para atingir uma redução tão substancial, a candidata diz que é preciso atacar a política de juros, com redução rápida e significativa da taxa atual de 14,5% para abaixo de dois dígitos, impor pagamento gradual e reduzido dos juros da dívida e estancar o desperdício de recursos federais, seja pela eficiência da máquina, enxugamento dos quadros ou ataque sistemático à corrupção.
Crítica feroz das políticas macroeconômicas adotadas pelos governos tucano e petista, Heloísa Helena defendeu que os cargos em comissão podem sofrer redução em 80% do volume atual, o que significaria a eliminação de milhares de postos preenchidos em estatais e departamentos da União espalhados por diferentes estados, segundo ela, lotados sob a lógica do fisiologismo e do “toma lá da cá”.
A senadora defendeu o fim da Desvinculação de Receita da União (DRU), mecanismo que ela disse estar sendo utilizado pelo governo Lula para retirar, sem critério, recursos de áreas fundamentais para o pagamento de juros e a “fartura do capital especulativo externo”. Na opinião de Heloísa Helena, a DRU deve acabar para não funcionar como novo mecanismo de fuga de investimentos pelo setor público. “Se o governo federal aplicar pelo menos o que está previsto no orçamento em cada área, já é um bom começo. É pouco, mas já é suficiente para dar alívio para áreas como segurança, saneamento. Bastava cumprir pelo menos o que está no orçamento pra começar, mas nem isso o governo Lula faz, a não ser usar a DRU pra satisfazer o pagamento de juros do sistema financeiro”, atacou.
Em uma sabatina de quase três horas de duração, a senadora falou sobre a estrutura do poder, as reformas principais em setores como previdência, tributos, fiscal, suas propostas para logística, segurança pública e a inversão da lógica neoliberal na prática de governo. A entrevista completa será publicada no próximo domingo.