Bairros

Em 8 meses, Creas atende 600 famílias

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 3 min

O Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) de Bauru, em funcionamento desde o final do ano passado, já atendeu 610 famílias ou aproximadamente 2.385 pessoas, entre janeiro e agosto. O órgão da Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes) tem o papel de ser a “porta de entrada” para a população em situação de risco.

Além de atendidas pelo órgão - que fica na quadra 1 da avenida Alfredo Maia - por assistentes sociais e psicólogos, essas famílias são encaminhadas para uma das 20 entidades que têm convênio com o Creas, dependendo do problema enfrentado. Já os quatro educadores sociais do órgão fazem busca ativa, ou seja, identificam casos de risco social, como crianças trabalhando nas ruas ou sem moradia.

Segundo a titular da Sebes, Egli Muniz, o caso de cada família é também acompanhado pelo Creas até o desfecho do caso. “Geralmente, são dramas familiares, como abandono de crianças e abuso sexual, por exemplo. Quando as pessoas procuram o Creas, já estão com os vínculos familiares rompidos ou bastante fragilizados”, explica Muniz.

Ontem, órgãos e entidades que atuam na defesa dos direitos da criança e do adolescente, da pessoa com deficiência e população adulta de rua, entre outros, participaram de uma reunião na Instituição Toledo de Ensino (ITE) para apresentar os primeiros resultados do Creas.

A intenção da Sebes é que cada entidade que possui convênio com o órgão atue de maneira integrada para facilitar o atendimento das famílias. O Creas tem articulação com o Sistema de Garantia de Direitos, formado pelas Defensorias Públicas da Criança e do Adolescente, do Idoso, da Pessoa com Deficiência, do Trabalho, Conselho Tutelar e outros.

Agressão

A assistente social do Programa e Combate ao Abuso e Exploração Sexual Infanto-Juvenil (Crami) Damaris Silva de Oliveira recorda-se de um dos casos encaminhados pelo Creas no início do ano. Três das quatro crianças da família estavam fora da escola e um dos filhos era agredido fisicamente pela mãe. Todos foram acompanhados por funcionários do Crami. A criança menor passou a freqüentar uma creche e as outras duas foram matriculadas no ensino fundamental.

“Os pais também foram orientados sobre como educar os filhos. A família ainda é acompanhada pelo Crami, mas já mostrou diferença significativa”, conta. Apesar do desarranjo familiar, em nenhum momento a família perdeu a guarda legal dos filhos. “A guarda só é retirada em último caso, quando há necessidade, porque os membros da família perdem os laços e a recuperação torna-se mais difícil”, explica a assistente social.

A sistemática de trabalho do Creas parte do princípio de que as instituições públicas e privadas que trabalham com a mesma população, e com objetivos similares, precisam se unir, somar forças para que os resultados possam ser alcançados e com mais agilidade.

Assim, cabe aos Creas a coordenação da rede de entidades e órgãos que atuam no Programa Nenhuma Criança na Rua, com trabalho infantil, violência contra a criança e adolescente, na proteção do idoso e pessoas com deficiência em situações de risco e outros.

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