Uma simples conversa. Este é o segredo para manter as finanças da família em dia. De acordo com a economista Janaine Lopes Pimentel, os casais não conversam sobre o quanto ganham nem onde gastam a renda e, por isso, muitos acabam se desentendendo. A saída, aponta a economista, é envolver toda a família, inclusive as crianças, em uma conversa periódica sobre todos os rendimentos e pagamentos mensais.
“As pessoas, em geral, não falam sobre dinheiro. Ninguém sabe o quanto o outro gasta e a família não tem objetivos coletivos”, avalia a especialista. Quando a família passa a conversar sobre finanças, a expor os problemas e a buscar soluções em conjunto, o relacionamento em casa melhora. “Porque ajuda a recuperar o diálogo, que está tão esquecido em muitas famílias”, observa.
De acordo com a economista, grande parte de separações conjugais teve início em crises financeiras. “Como os casais não conversam, ninguém sabe onde o outro está gastando o dinheiro. Fica um ponto obscuro”, diz. O primeiro problema de um casal que não conversa sobre finanças, aponta a economista, é não saber exatamente quanto cada um ganha. “Às vezes, eles contam o salário bruto e se esquecem de deduzir, por exemplo, o Imposto de Renda e outros descontos”, observa a economista. Depois de estabelecer a renda real da família, o segundo passo é calcular o gasto verdadeiro.
“Todos calculam as contas de água, força, aluguel, mensalidade escolar. Mas a gasolina, o dinheiro gasto na padaria, o cinema e o barzinho também devem ser calculados”, orienta. Essa é a parte mais complicada. O casal precisa adotar a disciplina de anotar cada um dos gastos para identificar para onde está indo o dinheiro da família. “Se deixar para anotar depois, acaba esquecendo. A minha dica é manter na carteira um papel, onde imediatamente a pessoa possa escrever o quanto gastou”, aconselha.
Assim que as finanças estiverem equilibradas, a dica da economista é destinar um valor mensal para uma aplicação financeira. (Veja mais dicas no quadro abaixo) “Deve fazer parte das obrigações mensais de uma família. Acredito que uma família deva dedicar, pelo menos, de 10% a 15% de sua renda mensal para um fundo de emergência”, calcula.
Outro ponto que a família precisa saber é a diferença entre investimento e despesa. Em momentos de crise, algumas chegam a cortar a escola particular dos filhos ou abandonar a faculdade. Para a economista, isso é errado. Educação é investimento. “Será que não vale a pena vender o carro e manter a faculdade?”, questiona. Para Pimentel, a separação do que é gasto dos investimentos é fundamental. “O carro é conforto, mas ele gera gastos com gasolina, manutenção e pode trazer um desequilíbrio financeiro grande”, observa a economista.