Mesmo diante do fracasso do PCC em conseguir sacar dinheiro dos bancos gaúchos sem ser cliente e fora do horário de expediente, podemos tirar algumas lições administrativas e de vida sobre o fato. São elas:
1) Nem sempre quem está no buraco é um pobre coitado sem perspectivas de vida. Pode ser alguém que apesar de estar passando por uma situação difícil, almeja alcançar fama e sucesso em sua vida.
2) Lembre-se: muitas vezes aquele que joga uma luz sobre o seu trabalho (com holofotes e lanternas), e vem para tirá-lo do buraco onde se encontra, não é necessariamente alguém disposto a ajudá-lo, e pode inclusive estar querendo levá-lo para um lugar ainda pior. É melhor estar dentro de um buraco trabalhando do que fora dele apanhando.
3) Todos gostariam de ficar ricos da noite para o dia. Porém, sem trabalho árduo e sem formar uma equipe engajada com seus ideais, não se consegue nada nesta vida.
4) Importante: não adianta nada ter bons planos, trabalhar duro, construir uma equipe determinada, e buscar altos lucros. Se a sorte não estiver do seu lado, esqueça.
5) De um modo geral, encontrar pessoas dispostas a ajudá-lo em tarefas difíceis e de alto risco, só são possíveis de se arranjar através de promessas de riqueza e poder. Agora, sempre tem alguém querendo puxar o seu tapete, mesmo que você esteja literalmente em um buraco.
6) Em várias ocasiões, as pessoas ficam olhando para o topo. Esquecendo que muitos daqueles que estão por baixo podem estar armando planos para dar a volta por cima, se apropriando das suas conquistas. Levando os distraídos à ruína.
7) Nem sempre um plano bem sucedido em uma determinada situação (assalto ao BACEN) é garantia de que novos planos seguindo aquele mesmo princípio alcançarão o resultado obtido anteriormente.
8) Cuidado! Mesmo sendo criativo, cheio de recursos financeiros e bem preparado, não esqueça de que outras organizações andam sempre de olho nas suas atividades e muitas vezes estarão dispostas a tudo para que você não consiga triunfar nos seus planos.
9) Mesmo organizações fortes, com metas ousadas e de características agressivas, podem fracassar quando tentam dar o passo maior do que as próprias pernas. Principalmente se tentarem alcançar de forma simplificada e batida, metas ambiciosas que resultem em prejuízos para outras instituições.
10) Por último, e com certeza o mais importante, pois esta lição deveria ser possível de se ensinar aos nossos jovens, para que eles aprendessem valores que muitas vezes parecem esquecidos neste imenso país: O crime não compensa (ao menos neste caso).
O autor, Antonio Brás Constante, é colaborador de Opinião