Aos 81 anos, Raymundo Nunes Goulart morreu carbonizado na madrugada de ontem, na sala de sua casa, situada na quadra 3 da rua Doutor Antonio Xavier de Mendonça, na Vila Santa Teresa. As razões que provocaram o incêndio serão apuradas pela perícia técnica. Há indícios, no entanto, de que as chamas tenham sido decorrentes de um curto-circuito no ventilador de teto da sala.
Um dos netos da vítima, Diego Goulart Carvalho, 25 anos, estava acordado quando o aparelho teria caído e alastrado as labaredas, conta a vizinha Lenice Vieira Pacharoni. “Ele foi acordar o pessoal, mas sem luz, ninguém enxergava nada”, conta. Também estavam no imóvel a irmã de Diego, Fabiana Goulard Carvalho, 23 anos, o tio de ambos Wagner Goulart, 56 anos, e a esposa de Raymundo, Norma Goulart.
Ela sofreu queimaduras de segundo grau e até o fechamento dessa edição continuava internada em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base (HB). Diego e Wagner também foram queimados, mas de modo superficial. Fabiana saiu ilesa.
“Ela pulou a janela e conseguiu abrir as portas do fundo, pela copa. A dona Norma não queria sair (sem o marido)”, afirma Lenice. Na busca por Raymundo, ela chegou a ir até a sala, onde o incêndio teria começado. Só deixou a casa em chamas porque lhe disseram que ele já havia deixado o imóvel.
Amor
“Os dois eram muito apaixonados. Faziam tudo juntos. Iam ao mercado, à missa. Era um amor de dar inveja. Eram dois pombinhos. Viveram juntos por mais de 55 anos”, relata a vizinha. O corpo de Raymundo foi encontrado depois, pela equipe do Corpo de Bombeiros.
“A gente se sente impotente, um lixo, por não poder acudir. A sorte é que não tinha nenhum ventinho. Senão, também pegava fogo na casa dos meus pais”, acrescenta Lenice vizinha da família há 35 anos. Ela garante que a tragédia de ontem não será esquecida. Na madrugada, os pais dela ouviram os gritos de socorro que vinham da casa ao lado.
O Corpo de Bombeiros chegou rápido e encontrou Wagner com uma mangueira jogando água pelo vitrô da janela. Quando o fogo foi debelado, o corpo do aposentado foi encontrado. Ele teria sido retirado com uma pá e colocado numa urna. Em caixão lacrado, Raymundo foi enterrado ontem à tarde, no cemitério São Benedito.
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Operação
Cinco viaturas do Corpo de Bombeiros, sendo duas delas de incêndio e uma do comando de área, foram deslocadas para o incêndio, registrado na madrugada de ontem. Em pouco tempo, os 14 homens apagaram as chamas utilizando cerca de quatro mil litros de água. Antes, quando chegaram ao local e souberam que Raymundo estava no imóvel, abriram as venezianas da casa para tentar localizá-lo.
O esforço, que contou com o apoio da Polícia Militar, foi em vão. As chamas consumiram completamente a sala. O box do banheiro ficou derretido. Já os outros cômodos foram preservados, embora as paredes tenham ficado com manchas escuras. O caso será investigado pelo 3.º Distrito Policial.