São Paulo - Pesquisa divulgada ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra que cresceu o número de trabalhadores que ganha até 1,5 salário mínimo.
De acordo com o levantamento, que considerou 211 negociações salariais, 68,7% dos pisos salariais pagos pelas empresas aos trabalhadores corresponderam a até 1,5 salário mínimo no primeiro semestre deste ano.
No mesmo período do ano passado, esse percentual era de 52%. Também cresceram o percentual de trabalhadores que ganham até 1,25 mínimo (de 23,4% para 43,6%) e até um mínimo (de 1,7% para 2,8%). Por outro lado, os pisos salariais acima de três salários caíram de 4,6% em 2005 para 3,8% em 2006. Na média, os pisos salariais pagos pelas empresas caíram de 1,69 salário mínimo em 2005 para 1,52 mínimo neste ano. Segundo o Dieese, essa aproximação entre os pisos salariais das categorias pesquisadas e o mínimo “decorre da política de valorização do salário mínimo” nos últimos dois anos.
Em 2005, o mínimo subiu de R$ 260,00 para R$ 300,00 e, em abril deste ano, a alta foi de R$ 300,00 para R$ 350,00. Segundo o Dieese, o reajuste real (descontada a inflação) nesses dois anos alcançou 22%, percentual que não foi acompanhado pelos demais reajustes salariais. “Deve-se reconhecer a importância da valorização do salário mínimo como fator da elevação da renda funcional do trabalho, haja vista o impacto, imediato ou em cadeia, que os reajustes oficiais produzem sobre as faixas de remuneração inferiores”, afirmou o estudo. “Ainda assim, cabe observar que esse movimento não vem se impondo na medida e intensidade desejadas.”