Quando elas começaram a trabalhar com seus chefes, computadores eram uma raridade e as máquinas de escrever e papel carbono eram suas principais ferramentas. Veio a revolução tecnológica, as novas diretrizes empresariais, a globalização e muitas delas, apesar de acompanhar as inovações, não mudaram de endereço. Hoje, Dia Nacional da Secretária, profissionais contam a experiência de acompanhar o mesmo chefe durante décadas.
Talvez ela seja uma das mulheres mais poderosas de Bauru. Fujika Kassai Fernandes Silva começou a trabalhar com o prefeito Tuga Angerami (sem partido) em 1983. Com a experiência de quem já trabalhou em muitos setores do poder público, ela sabe da sua responsabilidade. Tanto que aceitou o convite do atual prefeito para deixar a aposentadoria e voltar para o gabinete do Executivo.
Fujika começou a trabalhar com Tuga há 23 anos. Quando Edson Gasparini foi eleito prefeito, ela foi requisitada para ser sua secretária. Gasparini faleceu em novembro do mesmo ano e Tuga, que era o seu vice, assumiu. “Aí, eu permaneci no cargo de secretária do Tuga até 1988”, lembra. Na gestão do ex-prefeito Tidei de Lima, ela foi trabalhar na corregedoria da prefeitura. Em 1997, época em que Tuga era deputado, foi chamada para trabalhar em sua assessoria parlamentar. E voltou ao gabinete na atual administração.
Consciente da importância de seu trabalho, Fujika evita conversar sobre a prefeitura em casa. “Eu me desligo. Meu marido brinca comigo, dizendo que eu não falo nada sobre o trabalho, mas esse é um tipo de função que te isola. O que acontece no gabinete, tem que ficar por lá. Eu não posso sair comentando”, conta.
A convivência diária com Tuga já ajudou a secretária a livrar o patrão de algumas enrascadas. “Um dia ligou uma pessoa e disse: ‘Deixa eu falar com o Tuga. É a esposa dele’. E eu pedi para que ela colocasse a esposa dele na linha. A mulher reafirmou que era esposa dele. Mas eu respondi: ‘A senhora está dizendo que é a esposa dele, mas eu conheço a voz dela e o jeito dela falar. Sinto muito, mas a senhora não é a esposa dele’. A mulher desligou na hora”, lembra.
Ela conta que é fácil se desligar da prefeitura. “A jornada de esposa e mãe ocupa muito”, diz. Além do gabinete e de sua casa, a secretária, que é formada em serviço social e começou seu trabalho na prefeitura na Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), ainda se dedica à Associação de Pais de Filhos Excepcionais, criada por ela. Na associação, Fujika compartilha com outras famílias sua experiência com a filha Marina, 21 anos, portadora da deficiência.
Há 24 anos
Para Antonieta Mariuzzo Ferreira da Rocha, fica difícil separar a vida familiar da empresa. Ela trabalha numa indústria do setor gráfico há 17 anos, mas antes disso, já trabalhava há sete anos para a mesma família. São 24 anos trabalhando com a mesma pessoa. Antonieta trabalha com o empresário Ricardo Coube desde 1982. Atualmente, também auxilia os irmãos do chefe. “É muito bom trabalhar tanto tempo com a mesma pessoa. A convivência é um ponto positivo. Vocês acabam se conhecendo bem e o dia a dia fica mais fácil”, conta.
Uma das tarefas de Antonieta é gerenciar a agenda de Coube, que além de dirigir a empresa, é diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp). “Hoje em dia, o trabalho da secretária não se limita a atender telefone e anotar recados. É também gerenciamento”, avalia.
Em todos esses anos, ela guarda com carinho os Natais, aniversários e também o Dia da Secretária. “Todos os anos eles fazem uma pequena homenagem para essas datas”, conta.
Mas quando Antonieta completou 50 anos, a homenagem foi marcante. “Estavam todos reunidos no refeitório e chegou um caminhão de som. Quase morri de vergonha, mas foi uma festa muito bonita”, lembra.
Após tanto tempo trabalhando, ela conta que tirar férias chega a incomodar. “Me sinto um peixe fora d’água. Mas acho que tem que ser assim mesmo. Quando você se sente bem onde trabalha, fica mais motivada. E todos os dias eu venho com bastante vontade. Eles são minha família”, emociona-se.
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História
Durante a Revolução Industrial, por volta de 1860 Christopher Sholes inventou um tipo de máquina de escrever. Sua filha, Lilian Sholes, testou o invento, tornando-se a primeira mulher a escrever numa máquina em público.
No centenário de seu nascimento, as empresas fabricantes de máquinas de escrever fizeram diversas comemorações. Entre elas, concursos para escolher a melhor datilógrafa. As competições passaram a ser anuais, realizadas no dia 30 de setembro. Como muitas secretárias participavam, o dia passou a ser conhecido como o “Dia das Secretárias”, segundo dados da Federação Nacional das Secretárias e Secretários (Fenassec).