Economia & Negócios

Para começar 2007 sem dívida, negocie

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Com a aproximação do fim do ano, logo vem à mente as ceias de Natal, de Ano Novo, a troca de presentes e poucas coisas podem ser mais desagradáveis do que ir ao supermercado ou às lojas e, na hora de passar o cheque, você ficar sabendo que a compra não foi aprovada porque seu nome consta na lista da Serasa ou do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Ou ainda, por causa disso, é obrigado a comprar tudo à vista e com dinheiro.

Para evitar tamanho desconforto, especialistas em economia doméstica recomendam ao consumidor inadimplente quitar todas as dívidas ou pelo menos renegociá-las com os credores para entrar em 2007 com o nome “limpo”. Como faltam poucos meses para o fim do ano, o acerto de contas deve começar o quanto antes.

Caso discorde do valor da dívida, o consumidor pode pedir a revisão dos valores com a ajuda de um advogado. Quem não dispõe de recursos para pagar pela assessoria jurídica, pode pedir ajuda à Procuradoria de Assistência Judiciária do Estado, que nomeará um advogado para acompanhar a renegociação gratuitamente.

Para aqueles que estão dispostos a zerar as dívidas até o fim do ano, a dica é começar por aquelas cuja taxa de juros é maior. Isso, é claro, se houver mais de uma conta atrasada a ser quitada.

De acordo com o economista Mauro Fernando Gallo, altas taxas de juros fazem com que as dívidas cresçam rapidamente. Por isso, precisam ser liquidadas o mais rápido possível. Antes, porém, é recomendável tentar negociar essa dívida. Em muitos casos, dá para conseguir um desconto.

“Qualquer credor que tenha uma dívida em atraso vai tentar renegociar porque ele quer receber”, comenta Gallo. As piores dívidas, segundo ele, são as do cartão de crédito e dos cheques especiais, que variam de 8% a 12% ao mês. As altas taxas de juros são as principais responsáveis pelo aumento da inadimplência no País.

Juros menores

Se o devedor não tem dinheiro para quitar as despesas em atraso, é vantagem pegar emprestado de um banco ou de uma financeira, que ofereçam juros menores, para pagar a dívida. O consumidor vai continuar devendo (agora para o banco ou financeira), mas a incidência de juros sobre a dívida será menor. Portanto, ela crescerá mais devagar.

“Não é vantagem (continuar pagando juros de 8% a 12%) quando existem empréstimos que cobram no máximo 3% ao mês”, orienta o economista.

Foi exatamente isso que fez a encarregada administrativa Vitória Maciel, 24 anos. Ela tinha uma dívida cuja taxa de juros era de 8,5% ao mês. Na empresa onde trabalha, ficou sabendo das vantagens do empréstimo com desconto em folha de pagamento e decidiu aderir.

Com o dinheiro do empréstimo quitou a dívida e hoje paga 3% de juros sobre o valor emprestado. Vitória se diz satisfeita com a troca, mas afirmou que só fará isso novamente em caso de emergência. Na opinião do economista Gallo, esse cuidado deve ser estendido também para o cartão de crédito e o cheque especial.

Segundo ele, muitos fazem do limite do cartão e do cheque uma extensão do orçamento. Por isso, estão sempre no “vermelho”. “Às vezes, a pessoa fica brava porque o gerente do banco não aumenta o limite do cheque. Ela diz que o gerente não é amigo. Na verdade, o amigo é aquele que não aumenta o limite, porque a dívida pode ficar ainda maior”, compara Gallo. Segundo ele, um dos principais problemas de endividamento é que as pessoas estão usando o limite do cheque para compras rotineiras e não apenas para emergências.

Sem opção

A auxiliar de cozinha Racieli Bueno, 40 anos, também recorreu ao banco para pagar as dívidas e “limpar” o nome, mas não foi de forma espontânea. “Eu não tinha mais de onde tirar dinheiro”, conta ela. Racieli também optou pelo empréstimo com desconto em folha de pagamento. Ela dividiu em 36 parcelas. Ainda faltam 25, mas pelo menos quitou todas as dívidas e vai passar o fim deste ano e começo de 2007 com crédito na praça.

De acordo com o SPC, de janeiro a agosto deste ano houve aumento de 58% no número de consumidores inscritos no cadastro de inadimplentes em comparação com o mesmo período de 2005. No ano passado, foram incluídos 21.554 até agosto. Neste ano, o número chegou a 33.991.

Coincidentemente, a porcentagem de consumidores que conseguiram quitar seus débitos e deixar a lista de devedores foi quase a mesma. Ou seja, nos oito primeiros meses deste ano, cresceu em 61% o número de pessoas que deixaram de ser inadimplentes, em comparação ao mesmo período em 2005. Foram 23.601 até agosto do ano passado e 38.013 até o mês anterior.

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