Mulher

Aprender com as dificuldades

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 3 min

Resiliência. A palavra pode ter sonoridade desconhecida, mas seu conceito define o perfil de muitas pessoas. De acordo com o dicionário Michaelis Moderno, o termo significa o ato de retorno da mola; elasticidade, o ato de recuar (arma de fogo); coice. Na física, é o nome dado à propriedade que alguns materiais apresentam de voltar ao normal depois de submetidos à máxima tensão, como, por exemplo, as fibras de um tapete de náilon que recuperam sua forma assim que acabam de ser pisadas ou amassadas.

A psicologia “emprestou” o termo resiliência para explicar a capacidade de recuperação de uma pessoa diante de situações problemáticas e também de questões que interferem em seu dia-a-dia, como o estresse, doenças, problemas familiares e profissionais. É uma forma de traduzir a habilidade de lidar com as dificuldades, superá-las e até mesmo tirar proveito delas para se fortalecer. Transferindo para a vida prática, a resiliência pode ser cultivada por todas as pessoas, mas em especial pelas mulheres contemporâneas, que desempenham diversos papéis na sociedade, como de mãe, esposa, profissional e dona de casa.

“A capacidade de recuperar-se frente a uma crise, estresse, tragédias e experiências adversas constitui a essência da condição de resiliência de um indivíduo. Muitas pessoas conseguem fazer uso de sua história de vida difícil e trágica de forma saudável e enriquecedora”, observa a psicóloga clínica e psicanalista Elza Magnoler Guedes de Azevedo.

Dicas de como utilizar a resiliência de forma favorável, para superar momentos ruins e se autodesenvolver, estão no livro recém-lançado “Mulher Vulnerável - 12 qualidades para desenvolver a resiliência” (editora Melhoramentos). Para elaborá-lo, a professora e psicóloga americana Beth Miller se baseou em pesquisas e entrevistas com dezenas de mulheres. Entre os depoimentos, listou que admitir e assumir a vulnerabilidade, característica natural a todos os seres humanos, e ter flexibilidade permitem à mulher se adaptar às diferentes situações.

A resiliência é um processo de conquista gradativa e constante ao longo da existência, sendo influenciada pelo significado que a pessoa atribuiu aos fatos e histórias vivenciados por ela, aponta Elza Azevedo. “Indivíduo, família e sociedade são agentes interdependentes.” É que mostram estudos realizados com crianças e adolescentes, os quais foram tratados com desprezo e insensibilidade, mostraram resultados diversos.

Um deles aponta que, apesar das condições desfavoráveis, alguns indivíduos conseguiram escapar da marginalidade e desenvolver vínculos afetivos significativos e com ideais profissionais elevados. “São personalidades que de alguma forma puderam desenvolver laços positivos com outras pessoas. Em algum sentido as experiências passadas deixaram um registro de amor em seu psiquismo”, diz Elza.

Por outro lado, aponta a psicanalista, outros indivíduos que passaram pela mesma experiência não conseguiram se recuperar dos maus-tratos. “Suas fendas psíquicas não se reconstruíram e eles passaram a agir identificando-se com seus algozes.”

De acordo com Beth Miller, a resiliência faz parte da trajetória humana, mas ninguém é capaz de enfrentar bem os problemas o tempo todo. Além disto, esta qualidade pode ser destruída e reconstruída ao longo dos anos. Para ela, “a capacidade de recuperação possui 12 qualidades que se interrelacionam como raios de uma roda e funcionam como ferramentas preventivas.” Cada uma delas pode ser usada em situações de crise ou dificuldade, aponta a autora, mas é essencial que elas sejam exercitadas em momentos de equilíbrio para que a flexibilidade seja desenvolvida e fortalecida.

Comentários

Comentários