Economia & Negócios

Mensalidade escolar vai subir 5%

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 3 min

O final do ano está próximo. No que diz respeito aos gastos com ensino, já é hora de fazer as contas e preparar o bolso. Para não se assustar depois, é bom os pais saberem que as mensalidades das escolas particulares da cidade ficarão em torno de 5% mais caras em 2007, segundo estimativa da sede de Bauru do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieeesp).

Se comparado à expectativa do Sieeesp, de reajuste de 8% em média no Estado de São Paulo, o aumento nas mensalidades dos estabelecimentos de ensino da cidade pode parecer pequeno. No entanto, fica acima da inflação, estimada em 3,23% para este ano. Uma explicação seria a queda do poder aquisitivo da classe média nos últimos anos, o que elevou os índices de inadimplência - que giram entre 10% e 20%, de acordo com números do sindicato.

“Deve ser complicado para quem tem salário fixo, porque ele tem 3% de aumento, enquanto os gastos sobem 5%”, ressalta o comerciante Jorge Costa, que possui dois filhos em idade escolar e gasta 10% do orçamento mensal com a educação das crianças. “Quem trabalha por conta, como eu, tem que trabalhar mais e abusar da criatividade para conseguir esticar o orçamento”, completa.

Os reajustes devem ser comunicados com antecedência aos pais, que têm o direito de saber quais foram as causas dos aumentos.

De acordo com o coordenador do Procon em Bauru, Amauri Roma, os reajustes são comprovados através de planilhas veiculadas pelas escolas. “É fundamental que tanto os pais quanto os alunos façam a fiscalização e comprovem os números”, alerta.

Se os pais analisarem os argumentos dados pela instituição de ensino e acharem o aumento incompatível, não existe nenhum impedimento para que se tente uma negociação, segundo Roma. “Aqueles que se sentirem prejudicados podem comparecer ao Procon munidos dos documentos, que faremos uma análise”, afirma o coordenador do órgão na cidade.

Uma vez por ano

Segundo o presidente do Sieeesp em Bauru, Gerson Trevisani, as escolas só reajustam as mensalidades uma vez por ano, não podendo haver aumentos futuros. “Tem que ser no início do ano, porque em fevereiro é feito o acordo coletivo. Na pior das hipóteses, é repassada apenas a inflação”, afirma Trevisani, alegando que todas as escolas comunicam, por escrito, os alunos e seus responsáveis sobre o reajuste.

O aumento pode variar de um colégio para outro. De acordo com o presidente do Sieeesp, cada estabelecimento é livre para reajustar as mensalidades, embasado nos seus investimentos. “Às vezes se construiu um prédio novo, implementou um laboratório, teve aumento significativo com água, luz, impostos”, explica Trevisani.

Apesar do aumento, Jorge Costa, pai de Lucas, de 7 anos, e Camila, de 13 anos, procura entender as dificuldades encontradas pelos gestores escolares. “Tributos como água e luz aumentam acima da inflação. Isso sem falar nos impostos. Deve ser bastante complicado para eles também”, aponta o comerciante.

As afirmações de Costa estão corretas, de acordo com o presidente do Sieeesp. Ele aponta que mais da metade da receita da escola é gasta com a folha de pagamento. “Quando esse valor é agregado aos gastos com tributos, os números atingem cerca de 70% da receita de uma escola”, diz Trevisani.

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Inadimplência

A inadimplência em Bauru gira entre 10% e 20%, segundo o presidente do Sieeesp, Gerson Trevisani. O número é relativamente alto. O índice na Capital paulista é de 15%. Em São José dos Campos, região que apresenta a menor porcentagem, chega a 6%. De acordo com Trevisani, é possível negociar os valores em atraso diretamente com as escolas.

Para ele, o principal motivo dos elevados índices de inadimplência é a queda do poder aquisitivo da classe média. “O Brasil melhorou para quem ganha até dois salários mínimos, faixa que não utiliza o ensino particular. As crianças que estudam em escola particular são filhos de famílias da classe média, que ficou mais pobre nos últimos anos”, afirma Trevisani. “A inadimplência é uma conseqüência da crise que estamos passando”, completa.

Bauru possui 50 estabelecimentos de ensino particulares, com cerca de 40 mil alunos matriculados, de acordo com o Sieeesp.

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