Internacional

Atirador mata três crianças em escola

Por Vinicius Queiroz Galvão | Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Nova York - Um atirador invadiu ontem uma escola no Estado americano da Pensilvânia, matou três crianças e deixou sete gravemente feridas. Após negociação frustrada para rendição, o homem cometeu suicídio, segundo a polícia. Foi o terceiro incidente do tipo nos EUA em apenas seis dias.

Charles Carl Roberts, 32 anos, caminhoneiro, invadiu na manhã de ontem a escola rural Wolf Rock in Paradise - com 27 alunos matriculados numa única sala de aula para ensino fundamental da comunidade amish - e fez reféns as meninas; garotos e mulheres foram obrigados a sair. O agressor, diz a polícia, prendeu os pés das crianças com algemas, vendou seus olhos, colocou-as em fila contra o quadro-negro e atirou nas cabeças. As sete feridas, atingidas no crânio, correm risco de morte. Uma das meninas morreu nos braços de um bombeiro do resgate. As vítimas tinham entre 6 e 13 anos.

Agentes do FBI vêem a hipótese de vingança. Roberts, que não era da comunidade amish, teria ligado para a mulher, sem informar que havia matado crianças e que fazia outras reféns, para dizer que “não voltaria para casa” e que “vingava uma injustiça de 20 anos”, sem revelar detalhes.

Vários bilhetes de conteúdo suicida dedicados a ela e aos três filhos do caminhoneiro foram encontrados. Antes de atirar, Roberts havia telefonado também para o serviço de emergência 911 para exigir a saída dos policiais do cerco à escola. Se não fosse atendido, prometia matar o grupo e a si próprio.

Testemunhas dizem que 16 garotos, uma professora grávida e três mulheres com bebês foram feitos reféns e liberados em seguida. O diretor da escola conseguiu fugir e chamou a polícia numa fazenda vizinha. Ao ouvir tiros, os policiais invadiram a escola, mas já encontraram três crianças e Roberts mortos.

O atirador, que tinha um revólver e uma pistola automática nas mãos, fez barreiras nas portas para retardar a entrada dos agentes. As feridas foram levadas para o hospital do condado de Lancaster, que fica a cerca de 100 quilômetros de Filadélfia.

Aparentemente, dois mortos eram crianças de seis anos e a terceira, uma adolescente monitora do grupo.

Segundo a polícia, Roberts não tinha antecedentes criminais e trabalhava na região na coleta e entrega de leite. Ele teria levado os filhos a pé à escola da comunidade vizinha e pedido a pick-up emprestada de um parente para cometer os crimes. A região em que fica a escola não tem posto policial e nunca registrou crimes.

Na última quarta-feira, outro atirador invadiu uma escola em Bailey, no Estado do Colorado. Duane Morrison, 53 anos, fez um grupo de seis alunas reféns, abusou sexualmente de todas, matou uma delas e, em seguida, suicidou-se.

Na sexta passada foi a vez de um aluno de 15 anos matar a tiros o diretor de sua escola em Wisconsin. Os episódios lembraram a morte de 12 alunos e um professor na escola Columbine, em 1999, após um ataque feito por dois adolescentes armados, que se mataram na seqüência.

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Quem são os amish

Nova York - Conhecidos do grande público por meio do filme “A Testemunha” (1985), em que Harrison Ford interpreta um agente que tenta proteger um menino da comunidade que testemunhou um crime, os amish se mantém distante da sociedade de consumo e adota modo de vida da era pré-industrial.

São descendentes de alemães e suíços que vivem em sua maioria no nordeste dos EUA e na Província de Ontário, no Canadá. Migraram para a América após sofrerem perseguições na Europa. Os membros da comunidade seguem a religião menonita, seita protestante surgida no século 16 de uma corrente moderada de anabatistas holandeses, caracterizada pela rejeição da autoridade eclesiástica e pela separação entre religião e Estado.

Na prática, não servem o Exército, não se cadastram na Previdência Social e repelem qualquer assistência social do governo. Falam um dialeto alemão chamado “holandês da Pensilvânia” ou “alemão da Pensilvânia” e praticam o “rumspringa”, corruptela do alemão “herumspringen”, que significa “saltar aleatoriamente”.

Aos 17 anos, os adolescentes, até então submetidos a uma rigorosa disciplina familiar, são incentivados a sair para aprender e experimentar os hábitos mundanos. Ouvem música pop, assistem à TV, iniciam-se no sexo, álcool e drogas. Após um período têm de decidir se querem ser membros da comunidade ou cidadãos americanos comuns. Mais de 90% optam pelo primeiro. Em 2000, o governo americano contou 198 mil amishes em 21 Estados. A maioria vive em Ohio (55 mil) e na Pensilvânia (47 mil).

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